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O nosso Convidado Daniel Pepe está acompanhando atualmente em seu “Vale a Pena Ver De Novo” particular a novela Àgua Viva, de 1980. O autor Gilberto Braga escreveu Água Viva após Dancin’ Days (1978) e o novo folhetim repetiu o sucesso.

Leia a seguir o texto de Daniel relembrando a novela.

Em 4 de fevereiro de 1980, o horário nobre global ganhava uma história bastante alto astral, bem acabada esteticamente, com diálogos densos como de costume na época e personagens ricos social e dramaturgicamente.

Ângela Leal e a então pequena Isabela Garcia.

Era “Água Viva”, texto de Gilberto Braga, que contou com a colaboração de Manoel Carlos a partir do capítulo 57 (de um total de 159) e com a direção de Roberto Talma e Paulo Ubiratan, então jovens promissores.  A dupla de diretores imprimiu cuidados técnicos que afastaram as imagens dos métodos usados anteriormente, de modo que foi vista uma revolução visual no horário, cheia de tomadas externas.

A novela tinha como ponto de partida a história da comissária de trem Suely, muito bem defendida por Ângela Leal. Ela visitava um orfanato nas horas vagas, levando carinho e amizade às crianças. O papel fora escrito especialmente para a atriz, que exercia a mesma atividade na vida real.

Suely era muito afeiçoada a Maria Helena, a então menina Isabela Garcia, que pela idade deveria ser transferida a outra instituição onde não teria mais a mesma atenção. Na impossibilidade de adotá-la, Suely vai à busca do pai de Maria Helena, Nelson Fragonard (Reginaldo Faria), por quem se apaixona sem ser correspondida. Nelson era um playboy quarentão que vivia de aplicações, tendo como maior passatempo a pesca esportiva, sempre rodeado por mulheres e mordomias. De início, o rapaz rejeita o fato de ser pai, mas passa a rever seus conceitos após perder sua fortuna devido a um golpe aplicado por um amigo. Contudo, ele não assume a paternidade e a menina é adotada por alguns personagens no decorrer da novela.

Raul Cortez (Miguel) e Betty Faria (Lígia).

Paralelamente, havia a história de Lígia (Betty Faria), a princípio fútil e interesseira que fazia questão de aparentar um status que não tinha, forçando sua ida a eventos que a inserissem no high society. Depois de se divorciar, conhece Nelson, já falido. No entanto, ela desconhece essa condição, achando que ele ainda é rico.

Miguel Fragonard, irmão de Nelson e interpretado por Raul Cortez em sua estreia na Globo, era um cirurgião plástico, bastante carismático, que tem que enfrentar a viuvez ao lado da filha Sandra (Glória Pires). A certa altura, se envolve com Lígia, disputando a moça com o irmão.

O núcleo jovem era bem representado pela madura Janete (Lucélia Santos), par romântico de Marcos (Fábio Jr.). A mãe dele, Lourdes Mesquita (Beatriz Segall) praticava vilanias para impedir o romance, pois ela queria ver o filho casado com Sandra.

O assassino Kléber (José Lewgoy) e a feminista Stela Simpson (Tônia Carrero)

Lourdes era uma organizadora de festas e eventos, amiga da feminista Stela Simpson, vivida por Tônia Carrero bem simpática e à vontade. Esta era casada com o milionário Kleber (José Lewgoy), que havia sido tutor de Miguel e Nelson.

Como quase todas as obras de Gilberto Braga, “Água Viva” também teve o “quem matou?” a algumas semanas do término da novela. A vítima da vez foi Miguel Fragonard. O suspense foi mantido até os capítulos finais quando é revelado que Kleber era o culpado, pois ele havia descoberto que Miguel sabia de seu envolvimento na falência de Nelson.

Ao lado de Kadu Moliterno, Glória Pires que vivia Sandra.

Compunham ainda o elenco: Eloísa Mafalda, Natália do Valle, Cláudio Cavalcanti, Arlete Salles, Mauro Mendonça, Kadu Moliterno, Tamara Taxman, Carlos Eduardo Dolabella, Jorge Fernando, Maria Padilha entre outros.

Uma trama cativante que, se é impossível de ser reprisada nas tardes globais, poderia ser no canal por assinatura VIVA, que já tem dado sinais positivos em relação à abertura de novelas e programas bem antigos da emissora.

 

Veja a seguir o vídeo em que o programa “Vídeo Show” relembra os 30 anos da novela.

Daniel Pepe é Engenheiro por formação e pesquisador de TV por hobby. Você pode seguí-lo no twitter.com/Dan_Pepe

 

Fotos: Dilvulgação

Vídeo: Youtube

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Comentários em: "O CONVIDADO DANIEL PEPE RELEMBRA “ÁGUA VIVA”" (6)

  1. Walter de Azevedo disse:

    Água Viva é uma das grandes novelas da década de 80. Ensolarada, bem escrita, dirigida e com um elenco fenomenal. Foi nessa época e com essa trama que pensei pela primeira vez em ter uma carreira artística. Não sabia se pretendia escrever ou atuar, mas queria estar fazendo aquilo.
    Lígia (Betty Faria) está no meu top 5 entre as mocinhas de novela. Cheia de defeitos e contradições, exatamente como uma pessoa real.
    Bela lembrança a do Daniel e ótimo texto!

  2. Belo texto, Daniel! Ótima descrição.
    Gostei de alguns momentos marcantes da novela, mas nao da obra em si. Acho o mote principal meio simplório, típico de novela das 6, mas a novelas teve bons momentos.

  3. Adorei o texto e, apesar de ter assistido a um compacto da novela, minha curiosidade em relação a ela persiste e, quem sabe um dia, poderemos revê-la no Viva. Nem preciso dizer que minha cena favorita é a surra de Lígia em Selma, né? Se bem que tb adoro Lígia na fossa enquanto Bethânia canta “Grito de Alerta” no canecão. Minhas duas musas em uma única cena….rs! Parabéns, queridos! E Dani, tb espero um texto seu no melão!

  4. Parabéns Dan!
    AV foi uma luz diferente na teledramaturgia brasileira.
    Vamos torcer para que o Viva lembre dela!
    Abc.

  5. Um dos trabalhos de Gilberto Braga que mais me desperta curiosidade. Uma curiosidade até maior do que a que tenho por outras obras do autor, mais badaladas. Água Viva tem sim um mote simplório, como o Gui bem disse, mas ainda sim tem um charme incrível. Li o livro Omo com o resumo da novela quando era pequeno e desde então, sou louco pra ver a mesma. Que o Viva nos presenteie com uma reprise!

    Parabéns pelo texto, Dani! E pelo blog, Paulinho! hehe. Queridões!

  6. Massa, Dani, vi pouco de Água Viva e parece mesmo uma novela gostosa de se ver. Belo resumo. Só teria uma ressalva com a direção na cena em que diz o assassino de Miguel Fragonard. Aquele zoom dá dor de cabeça…

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