ZAPPIANDO

*Por Nilson Xavier

Em 1979 eu tinha 10 anos de idade. E foi com o olhar de uma criança de 10 anos que acompanhei a chanchada novelística “Feijão Maravilha“, uma espécie de homenagem à companhia Atlântida de cinema. Ou seja, para mim foi uma novela deliciosa! O romance estava numa personagem açucarada demais (Eliana, de Lucélia Santos) e em um mocinho trapalhão (Anselmo, de Stepan Nercessian).

Mas era no pastelão policial que a novela se calcava. Como não amar os carregadores de malas Benevides (Grande Otelo) e Oscar (Olney Cazarré) – que supria a falta de Oscarito, parceiro de Grande Otelo na Atlântida. O casal romântico mais famoso da Atlântida, Anselmo Duarte e Eliana Macedo estavam no elenco. Eles eram os pais de Eliana, que não por acaso tinha esse nome – assim como o par da personagem não por acaso se chamava Anselmo. A melhor amiga de Eliana era Adelaide, papel de Elizângela, numa alusão à atriz Adelaide Chiozzo, parceira de Eliana Macedo na Atlântida – que por sua vez, e não por acaso, atuava na novela como mãe da personagem de Elizângela e melhor amiga da personagem de Eliana Macedo. Confuso? Não!

O grande vilão da Atlântida, José Lewgoy vivia o temido vilão Ambrósio, figura sinistra, sempre acompanhado pela bela e ingênua Marylin Meyer, uma versão tupiniquim do estereótipo de Marylin Monroe. Ambrósio vivia tendo cenas com a figura do Sombra, um personagem misterioso que nunca aparecia. Ao final, descobria-se que era um irmão gêmeo de Ambrósio.

Eles eram hóspedes do Hotel Internacional, um cinco estrelas onde os personagens se encontravam. Destaque para os bandidos gangsteres-mafiosos vividos por Older Cazarré, Ivan Setta, Felipe Carone e o hilário Walter d’ Ávila. Cada um com uma característica digna de personagem de desenho animado.

 Ou seja, com um elenco desse, e com tanta alusão à Atlântida, “Feijão Maravilha” não podia ser considerada uma novela comum, era uma anti-novela. Humor pastelão e situações surreais permeavam a trama. E tudo isso antes de Silvio de Abreu revolucionar o horário das sete com Guerra dos Sexos. Talvez por isso “Feijão Maravilha” não tenha sido tão bem aceita na audiência. Mas com certeza tinha a audiência de crianças de 10 anos na época.

Vídeos: Youtube

* Nilson Xavier é criador do site Teledramaturgia e autor do livro “Almanaque da Telenovela Brasileira”. Recentemente lançou também o Blog Noveludo.

Esta coluna é publicada todos os finais de semana no Zappiando.

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