ZAPPIANDO

*Por Nilson Xavier

Em 1987, Dias Gomes apresentou à Globo uma sinopse baseada no mito “Édipo Rei” de Sófocles, a história do rei que mata o pai e casa com a mãe sem saber. A Censura interveio e obrigou vários cortes na trama, acusando-a de atentatória aos bons costumes. Liberada, com cortes, a novela “Mandala” continuou sendo vigiada. O esperado beijo entre a mãe (Jocasta) e o filho (Édipo) só foi ao ar depois de muita conversa com os censores. Dias saiu e deixou o barco para Marcílio Moraes guiar.

Buchichos sobre o que podia ou não podia à parte, “Mandala” empolgou mais em seu início. A primeira fase, que mostrava a juventude de Jocasta, fez mais sucesso. Ali retratou-se com fidelidade o conturbado momento político brasileiro na década de 60. Levada para a atualidade, a trama perdeu seu frescor, e a história de Édipo e Jocasta foi muito pouco para segurar a novela por meses a fio. Para piorar, as tramas paralelas não empolgaram.

Mas a novela garantiu a audiência média no horário nobre graças à popular figura do bicheiro Tony Carrado, num dos melhores momentos de Nuno Leal Maia na TV. O tipo ignorante, romântico atrapalhado, quase ingênuo em sua paixão intempestiva pela “deusa” Jocasta, davam o tom à sua verborragia repleta de erros. Caiu no gosto do público e nas graças de Jocasta, vivida por uma Vera Fischer em todo o esplendor de sua beleza.

Vale registrar que foi nessa novela que Vera iniciou seu romance com o jovem ator Felipe Camargo, o intérprete de Édipo, com quem se casaria e viveria uma conturbada relação. E a música “O Amor e o Poder”, cantada por Rosana, tema musical que embalava o amor de Jocasta e Tony, foi tocada incessantemente durante a novela, tornando-se um grande hit popular.

“Como uma deeeeusaaaa… você me manteeeeeemmm…”

Veja o vídeo com o final da novela

Vídeos: Youtube (thiagoxv)

 * Nilson Xavier é criador do site Teledramaturgia e autor do livro “Almanaque da Telenovela Brasileira”. Recentemente lançou também o Blog Noveludo.

Esta coluna é publicada todos os finais de semana no Zappiando.

 

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Comentários em: "NILSON COMENTA “MANDALA”" (1)

  1. Mandala Tinha tudo pra dar certo, mas depois de tanta interferência da censura e vai-e-vem de autores, acabou se transformando na “novela que a Vera Fischer conheceu Felipe Camargo” (Detalhe, ela é só 10 anos mais velha que ele, não era um escândalo tão grande assim). Virou também a “novela do Toni Carrado” Não gosto quando um personagem secundário passa a fazer mais sucesso que a novela a ponto de carregá-la nas costas, como foi o caso de Tony Carrado em Mandala, ou a Bina (Cláudia Jimenez) em Torre de Babel.

    Mas o melhor legado de Mandala foi o mega hit O amor e o poder, na voz de Rosana, a única diva gay com um hit só.

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