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2011 O ANO DE LILIA CABRAL

*Pelo Convidado Rodrigo Ferraz

Lilia Cabral já teve anos emblemáticos. 2006 por exemplo, foi um deles! Viveu a Marta, que foi um divisor de águas em sua carreira, na novela Páginas da Vida, e estrelou a bem sucedida peça Divã. E graças a ela Lilia Cabral tem tudo pra mostrar muito a que veio, agora em 2011!

Confesso que escolhi falar um pouco dela por ser minha atriz favorita. Mas, num ano que a mesma aparece na reprise do seu primeiro papel de destaque, estrela seriado e peça e pela primeira vez será protagonista numa novela – das oito ainda por cima –  não tinha como não falar!!!

Ela está em cartaz no Teatro dos 4,  no Rio de Janeiro, vivendo a protagonista solteirona de “Maria do Caritó”, em parceria com amigos de faculdade como Fernando Neves e Silvia Poggeti e contracenando com Leopoldo Pacheco numa dobradinha que deve ser divina. Digo deve,  porque não pude ver ainda. O texto é do brilhante Newton Moreno e a direção é de João Fonseca. A cariocada não pode perder!

Em “Amor?”, filme de João Jardim, ela vive uma mulher que tem um relacionamento autodestrutivo.

Será que eu consigo fazer isso?” Foi o que a atriz se perguntou ao receber o convite.

Na TV, ela já estava no ar desde o ano passado como a memóravel Aldeíde, na reprise da novela “Vale Tudo”, no Canal VIVA. Aldeíde é uma mulher bonita, que começa como uma mera secretária inteligente e faladeira, mas acaba se casando com um homem mais velho, que deixa para ela uma grande fortuna após sua morte.  E tendo cenas marcantes fatalmente este ia ser seu primeiro grande papel na TV.

Abaixo uma cena dela contracenando com Reginaldo Faria numa cena que todos que viram em 1988 não esquecem até hoje!

No seriado “Divã”, que estreou dia 5 de abril,  ela revive Mercedes, papel que arrematou bilheterias no teatro e deu quase 2 milhões de espectadores no cinema. Para quem já conhecia a personagem foi um deleite e para os quem ainda não conhecia, certamente foi um imenso prazer!

Nos dois primeiros episódios vemos Lilia linda e intensa em cena. Mesmo sendo uma comédia dramática é perceptível que Lilia está mais imersa, fazendo dobradinhas marcantes, ora com Totia Meireles, ora com Patricia Pillar, e ainda com o novato e promissor galã cinqüentão: Domingos Montagner.

Veja abaixo a abertura do seriado.

De inédito mesmo vamos ter em agosto, a protagonista citada no começo do artigo. Griselda é seu incomum nome. É a volta de Lilia Cabral a um texto de Aguinaldo Silva, algo que não acontecia desde “Pedra sobre Pedra”, em 1992.

Griselda é uma mulher que faz de tudo para sustentar os quatro filhos, uma “Marido de Aluguel”, como era o titulo provisório da novela que agora se chamará “Fina Estampa”. Aguinaldo, por sua vez, prometara que esta sera a mais popular de suas personagens. Com a atriz eu não duvido nada. E ainda teremos, batendo de frente com Lilia, Christiane Torloni! Promete ou não promete?!

Agora, venhamos e convenhamos, 2011 vai ou não vai ser o ano de Lilia Cabral??!

*Rodrigo Ferraz, o Dog, como é conhecido, é nascido e criado em São Paulo, onde mora até hoje. Ele é o “amigo dos artistas”, pois se refere a todos com carinho e intimidade, e não se inibe em abordá-los quando os encontra na rua ou nos bastidores. Iniciou os estudos em Teatro, na Escola Nilton Travesso,  e hoje atua como assistente de direção. Recentemente estava em cartaz com a bem-sucedida peça “Lixo e Purpurina”, no SESC  Pompeia. Gosta tanto de Televisão, que chega a ser um “nerd”…rs. E também, tem um jeito todo particular de falar de seus atores e atrizes favoritos, como se pode perceber no texto.

 Fotos e Vídeos: Divulgação/Youtube

@diniz_paulinho

SORRIA MEU POVO, CHICO REI CHEGOU

*Pelo Convidado José Marques Neto

Fiquei pensando na forma em que chegaria ao ao blog do meu amigo Paulo Ricardo Diniz e fazer jus a tão nobre convite.

Escrever sobre um tema tão vasto como é a televisão e saudosista como sou da fase mais romântica de outrora deveria resultar num assunto que abrangesse presente e passado de forma inquestionável.

Claro que Chico Anysio representa muito bem os tempos áureos do humor tanto na tevê quanto no rádio brasileiro.

É da maior importância louvar este que é um dos maiores atores do mundo – afinal interpretar cerca de 200 personagens não é mérito para qualquer um – o que também por tabela nos leva à conclusão de que Chico Anysio é indubitavelmente um gênio já que todos esses tipos saíram de sua inventiva imaginação. Não saíram de páginas escritas por Shakespeare, Tolstoi ou Machado de Assis mas da arte tão ampla, criativa e diversa de Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho.

Chico Anysio já seria gênio só se fosse o excepcional ator e autor dos melhores sem precisar também ser compositor, pintor, escritor de livros e até cantor dentre tantos outros dotes artísticos.

Não vou enumerar o quão importante Chico Anysio é para a cultura pop brasileira, resultaria num texto enorme, optando por lembrar do Chico televisivo que conheci lá pelos anos setenta, quando criança, assistindo ao humorístico Chico City.

‘Isso é muito bom, isso é bom demais’ eram a senha em forma de versos para que corresse para frente da tevê e me encantasse com aqueles tipos tão engraçados quanto brasileiros que entravam pontualmente às quintas depois de O Semideus, ou de Cavalo de Aço, ou de Fogo Sobre Terra, ou de Pecado Capital… As novelas se sucediam no horário das oito e os personagens de Chico City continuavam reinando absolutos nas noites de quinta.

As cores chegaram à Chico City lá por 1975 mas demorariam ainda um pouco a chegar em minha casa, o que me incitava vez ou outra a assistir ao Véio Zuza,  Seu Popó, Lingote ou Pantaleão na casa de meus avós.

Durante os anos 80 e 90 continuou como um dos maiores nomes da Rede Globo de Televisão e sempre foi reconhecido também por valorizar e dar oportunidade para um sem número de comediantes de todas as gerações atuarem em seus programas. Hoje Chico e sua turma ainda podem ser vistos no Canal Viva em duas atrações, Chico Total (produzido em meados dos anos 90) e na inesquecível Escolinha do Professor Raimundo, que era exibida na Globo desde 1990 de segunda à sábado.

Onde mais poderíamos rir com talentos das antigas como Antonio Carlos, Walter D’Ávila, Mário Tupinambá, Zezé Macedo e Costinha e outros da então novíssima geração 90 como Tom Cavalcante e Pedro Bismarck senão na companhia do Professor Raimundo, digo, na companhia do mestre Chico Anysio?

Há poucos dias o velho Chico completou oitenta anos.

Há pouco mais se restabelece de problemas de saúde que obrigaram a um período longo de internação.

Sua arte contudo permanecerá intacta independente de se um dia precisar curtir uma aposentadoria.

Já aquele garotinho que assistia à Chico City em preto-e-branco termina essa modestíssima homenagem lembrando de um domingo, pra ser conciso o Dia das Mães de 1976, quando estava na casa da sua bisavó em Botafogo e nunca apagou da memória esse momento:

O Brasil aplaude Chico Anysio. Emoções assim não têm preço.

 *José Marques Neto, ou simplesmente Neto, é também carinhosamente conhecido como “Sr. Mofo TV”. Tudo pelo canal online com este nome que ele mantém. O material do Mofo TV provém da vasta coleção de seu editor, em VHS.  Além do Blog, Neto também escreve em colunas para outros sites e é uma boa fonte para programas de TV e reportagens sobre o universo televisivo. 

Em 2009, tive a honra de contar com a participação dele no meu Trabalho de Conclusão de Curso, o Vídeo-Documentário “Fábrica de Ilusões – Décadas de Telenovelas – Do Realismo ao Fantástico”.

Você pode visitar o Blog Mofo TV: http://www.mofotv.blogspot.com/ e seguir o Neto no twitter.com/Marque_Neto.


Foto: Divulgação

Vídeos: Youtube / Mofo TV

@diniz_paulinho

A BOA MOÇA DAS SETE

*Pelo Convidado Ivan Gomes

“Ti Ti Ti” se despediu do vídeo, deixando entre vários saldos positivos, o amadurecimento de Isis Valverde.

A jovem atriz mandou muito bem com sua Marcela, segurando a personagem que se destacava tanto entre os inexperientes Guilherme Winter e Caio Castro, fazendo-os crescer em cena. E não titubeou com veteranos mais tarimbados como Mauro Mendonça.

Mesmo que Isis ainda tem muito a crescer e amadurecer enquanto atriz, ela mostrou em “Ti Ti Ti”, um grande avanço. Era perceptível a preocupação com a linha de interpretação de sua personagem e os sentimentos que a cercavam. Força, determinação e emoção estiveram na medida, numa novela onde muitos exageraram na interpretação, devido à sempre festeira direção de Jorge Fernando.

Isis também desenvolveu bem o desejo da autora Maria Adelaide Amaral em ‘dividir’’ o público entre Edgar (Caio Castro) e Renato (Guilherme Winter), ficou realmente difícil saber quem Marcela realmente amava. E a torcida do público também se dividiu. Até que por fim ela escolheu por Edgar, aquele que a acolheu e a quem ela chamou de verdadeiro amor.

Agora, após o fim da novela, a torcida é para que Isis Valverde continue em seu processo de amadurecimento. Contando sempre com o estudo e dedicação, mantendo o foco na carreira, e que o sucesso venha como consequência e não direcionado para fofocas de mídia e ataques de estrelismo. Caso isto aconteça, quem sabe assim não teremos no futuro, uma grande atriz.

A torcida é para que a atriz encare tantos outros trabalhos gloriosos como em “Ti Ti Ti”.

Outros trabalhos – A mineira de Aiuruoca, Isis Valverde estreou na TV com seu rosto coberto por um véu. A até então desconhecida atriz encarnou a jovem Ana do Véu no remake de “Sinhá Moça”, em 2006. No ano seguinte, ela fez uma participação em “Paraíso Tropical”, como a prostituta Telma, morta nos primeiros meses das novela. Em 2008, chegou o papel que tornaria Isis mais popular, a ingênua Rakelly, de “Beleza Pura”. E em 2009, a atriz deu vida à mimada Camila, de “Caminho das Índias”.

 

Foto: Divulgação


*O divertido paulistano Ivan Gomes é DJ e Pesquisador Musical. Carrega em sua trajetória uma vasta lembranças de ínumeras novelas e outros programas de TV. Apesar de não ser ator, imita com perfeição ícones como Beatriz Segall e sua personagem Odete Roitman, de Vale Tudo, além de Renata Sorrah e Betty Faria. Recentemente estreou em companhia de Eduardo Secco, Guilherme Staush, Daniel Pepe e Fernando Russowsky o Blog Agora É Que São Eles, também dedicado à Televisão. Você pode seguir o Ivan no twitter.com/ivangomesz.

“TI TI TI” ONTEM E HOJE

Pelo Convidado Vitor Santos de Oliveira*

Jacques Leclair e Victor Valentim, na versão de 1985.

Há quem diga até que não se trata de um remake a atual versão de “Ti Ti Ti”, de Maria Adelaide Amaral, mas de uma nova novela. Eu diria que “Ti Ti Ti” é uma releitura, livremente inspirada na trama oitentista de Cassiano Gabus Mendes, já que a espinha dorsal original está ali presente. No entanto, além da inclusão de núcleos de “Plumas e Paetês”, há outras mudanças significativas na versão de 2010/11, provenientes das mudanças pelas quais passou a sociedade nesses 25 anos, além do próprio estilo da autora. Sem procurar atribuir juízo de valor, aproveitando a última semana do remake, vamos comparar algumas dessas diferenças entre as duas produções.

A mais significativa das diferenças está no perfil de um dos protagonistas, Jacques L’eclair, vivido por Reginaldo Faria em 85 e por Alexandre Borges em 2010. O Jacques de Reginaldo era um autêntico macho-alfa, imponente, sedutor, que só desmunhecava na frente dos maridos das madames a quem atendia e com quem vivia tórridos romances. Além disso, era extremamente talentoso e o costureiro (naquela época não se usava o termo estilista) mais bem-sucedido do país. Em contrapartida, o Ari de Luiz Gustavo era um pobre diabo, tal qual o de Murilo Benício. Sem sorte para os negócios, vivia de fracasso em fracasso e chegara na meia idade sem ter construído nada e com um casamento fracassado nas costas. Daí se fazia o grande conflito. A diferença entre os dois era abissal, tanto em talento, quanto em poder. Era praticamente impossível imaginar que o desprovido Ari conseguiria vencer o poderoso Jacques. Por isso, o público acompanhou com bastante interesse e entusiasmo a virada do anti-herói e suas vitórias contra o rival.

Já no remake, a diferença entre um e outro não foi tão grande assim. Ambos não possuem o dom da costura e vivem de explorar o talento alheio. Além disso, Jacques não herdou o bom gosto da mãe, como na primeira novela. Extremamente cafona, só começou a deslanchar com a chegada de Jaqueline (Claudia Raia) em sua vida. Além disso, o Jacques de Alexandre Borges acabou dividindo opiniões por conta do caminho que ele tomou: extremamente histriônico e caricato, com caras e bocas e trejeitos afeminados quase todo o tempo, o estilista se mostrou um tanto fraco e descerebrado. Em contrapartida, o Ari de Benício, apesar de pateta, se mostrou bem mais esperto que Jacques, portanto, a jornada do herói na conquista de seu objetivo não pareceu tão dura e difícil assim aos olhos do público.

 

Cláudia Raia brilhou como Jaqueline Maldonado.

E, justiça seja feita, o grande destaque do elenco do remake ficou mesmo por conta de Claudia Raia e sua tresloucada Jaqueline. Mesmo com todas as maluquices e com todas as cenas de humor pastelão, Maria Adelaide e sua equipe souberam dar a humanidade necessária à personagem para que o público comprasse sua história e torcesse por ela. Ao meu ver, a grande heroína da trama, com peso de protagonista, deixando a rivalidade entre os estilistas em segundo plano. Rimos (muito), mas também choramos com Jaqueline, nutrimos carinho por ela e torcemos o tempo todo para que ela encontrasse a felicidade. Na versão original, a Jaqueline, vivida pela inesquecível Sandra Bréa, não tinha nem metade do peso que teve agora na trama. Apesar da beleza e da elegância de La Brea cativarem o público, a personagem vivia à sombra de Jacques e não tinha força o suficiente para sair de sua teia. Só no final terminou nos braços de Adriano (Adriano Reis), que nutria por ela um amor platônico desde o inicio. Outra mudança bastante drástica foi no perfil de Clotilde, vivida por Tania Alves no original e por Juliana Alves no remake. A Clotilde de Tania era uma delícia, fazia o gênero bonita e burra, mas de burra não tinha nada. Era esperta e sabia conquistar o que queria com charme e sedução. Muito diferente da pragmática Clotilde do remake, que não mediu esforços para alcançar seus objetivos, passando por cima de todos para promover Jacques e se tornando a grande cabeça do casal. Sinal dos tempos? Pode ser, já que hoje em dia, a postura das mulheres mudou bastante, mas confesso que a graça e o charme de Tania Alves fazia toda a diferença.

 

Aracy Balabanian era Marta, na primeira versão.

Outra mudança radical foi com a Marta, que na pele de Aracy Balabanian, era uma mulher dura, rancorosa, vingativa e fazia de tudo para destruir Jacques, já que ele fora o responsável pelo término de seu romance com Pedro (Paulo Castelli). Aliás, esse romance não convenceu o público nem um pouco. Acertadamente, Maria Adelaide transferiu no remake, o romance de Marta, agora vivida por Dira Paes, de Pedro para o próprio Jacques. E apesar de a Marta do remake ser também uma mulher sofrida, também é doce e bondosa e candidata ao amor de Ari.

 

Murilo Benício e Alexandre Borges, na versão de 2010.

Diferenças à parte, há uma semelhança que supera todas elas: o sucesso. A trama de Cassiano Gabus Mendes era ótima e mexeu com o país e a atual releitura de Maria Adelaide mostrou vigor e fôlego suficientes para reabilitar o horário das sete. Qual das duas versões é a melhor? Cada um tem a sua preferência, lógico, mas uma coisa ninguém pode negar: o sucesso esteve ao lado de ambas o tempo todo.

Fotos: Divulgação

*Vitor Santos é apaixonado por Televisão, o que se reflete em seu trabalho. Por formação, é roteirista e professor de literatura. Em 2009, tive a honra de contar com sua participação em meu Trabalho de Conclusão de Curso, o vídeo-documentário “Fábrica de Ilusões“. Recentemente conseguiu, por méritos próprios, ingressar para o seleto grupo de roteiristas da Rede Globo. Mesmo com tanta ocupação, ainda arruma tempo para abastecer com bom conteudo o seu bem-sucedido Blog Eu Prefiro Melão, no qual aborda assuntos televisivos.

SEM MANI(E)QUEÍSMOS, ELE RETRATA O COTIDIANO E NOSSA ALMA

*Pelo Convidado Thiago Henrick (TH)

Muito se fala da obra de Manoel Carlos. Tecem comentários tanto elogiosos como críticos. Amam, odeiam. Dizem que só escreve para as mulheres, que perdeu o ritmo e o viço. Também costumam atribuir-lhe os melhores diálogos da teledramaturgia brasileira.

O aniversariante de hoje tem mesmo esse dom de poucos que é o de dividir opiniões. Faço-me presente no grupo dos admiradores – não cético, que fique bem claro. Sou fã condicional e faço questão de ser o primeiro a apontar os erros do meu ídolo. Mas não economizo mesmo latim para apontar em que pontos o acho incompreendido.

 

Em Por Amor, Helena trocava os bebês.

Acredito que o ponto máximo de seu talento é o retrato. Não só de lugares (Leblon, Teresópolis), ou do cotidiano, como se costuma lembrar. O retrato mais fiel que preconiza é o da alma humana. Fazer seus personagens viverem dramas, dilemas e situações absurdamente próximas da realidade. Em suas tramas, nunca é a ação que conduz os personagens, mas o inverso, justamente por ser assim na vida de tantas pessoas: o rumo que se toma depende dos “personagens” que encontramos no decorrer de nossa saga. Pessoas de senso mais prático não vêem com bons olhos atitudes quase insensatas e extremas de uma mãe que troca seu filho vivo pelo morto da filha na maternidade ou da que trai o homem que ama em troca de uma esperança pra salvar uma filha doente. Os dramas humanos sempre foram registrado do ponto de vista da sensibilidade e ele o faz com maestria!

 

Susana Vieira como Branca Letícia, em Por Amor.

Nas suas tramas, as vilanias são oriundas do comportamento humano. Não há maniqueísmo ou vilãs com gargalhadas de bruxa, “más sem motivo”. A gente consegue fundamentar atos de Branca Letícia de Barros Mota (Por Amor), ou de Alma Flora Pirajá de Albuquerque (Laços de Família) – mulheres fortes que tomam atitudes movidas por amor. De igual forma, suas mocinhas também não são princesas sem defeitos, muito pelo contrário! Suas Helenas são mulheres comuns, cheias de defeitos e que não negam isso em seus atos. Quem não torceu e massacrou ao mesmo tempo suas protagonistas? Quem não condenou e entendeu na mesma intensidade seus atos extremos e humanos? Só quem nunca amou…

Esse é outro tema recorrente das tramas de Maneco – o amor e suas mais variadas formas de manifestação. Sempre se vê um painel de grandes personagens que amam e sofrem as dores e delícias desse mal/bem. O amor aparece até nas formas menos óbvias – como no caso de Santana (Vera Holtz, em “Mulheres Apaixonadas”), apaixonada pelo álcool, diante de toda sem-graceza por qual sua vida rumou…ratifica com sucesso toda sensibilidade que nosso aniversariante deposita nas laudas que discorre. E é esse amor que faz com que a gente identifique traços psicológicos bem parecidos entre seus personagens. Helena e Plínio (Lilian Lemmertz e Fernando Torres), casal mal humorado e humano de “Baila Comigo”, são os ancestrais de Orestes e Lídia (Paulo José e Regina Braga, de “Por Amor), e por aí vai…imperfeitos e queridos!

 

Lilia Cabral será a próxima Helena.

E o futuro? Falam de uma nova novela, com Lília Cabral no papel de Helena (uma das atrizes que mais sabem dizer o texto de Maneco, assim como Tony Ramos). Particularmente, eu preferia o tão sonhado remake da novela “A Sucessora”, trama que sempre tive curiosidade de acompanhar e não o fiz por motivos de idade. Concordo com as críticas desenfreadas à falta de ritmo que imperou “Viver a Vida”, e não gostaria que isso acontecesse numa possível nova trama inédita!Mas não importa o que venha…como fiel e leal escudeiro, não abandonarei meu ídolo na forma que escolher para, como ele mesmo já declarou,  encerrar sua carreira!

 

 

A primeira Helena.

P.S.: A pergunta óbvia…qual minha Helena favorita? Fico entre a de Lilian Lemmertz (Baila Comigo) e a primeira de Regina Duarte (História de Amor). Simples, pouco sofisticadas, humanas e intensas!

 

Veja abaixo as atrizes que viveram as Helenas, do autor:

 

Da esq. para dir., Regina Duarte, Maitê Proença, Christiane Torloni, Vera Fischer, Taís Araujo e Lilian Lemmertz.

 

 

*Thiago Henrick, ou simplesmente TH, é um advogado com alma de Jornalista. Alagoano, recém-chegado a São Paulo com a cara e com a coragem, é um apaixonado por Telenovelas e por músicas, prova disso é o seu excelente Blog, EnTHulho Musical. Como deu para perceber, seu autor preferido é Manoel Carlos, esta é uma das coisas que temos em comum. Siga o TH no twitter.com/henrickmcz

“ESPERANÇA”: UMA HISTÓRIA QUE MERECEU SER CONTADA

Pelo Convidado Fábio Leonardo Brito*

 

Já faz um tempo que venho revendo meus conceitos sobre novelas. Certas novelas, para ser mais exato. Assistido novamente cenas aqui e ali, revendo reprises, conversando com pessoas que entendem, e muito, do assunto (um abraço, queridões!). Isso tem me feito repensar. Me veio, então, a ideia de rememorar uma novela, no mínimo, injustiçada.

A 17 de junho de 2002, a Globo estreava Esperança, a nova novela das 21h, que já começava levantando muitas expectativas. A substituta do blockbustter O Clone vinha com a proposta de trazer de volta um expediente que havia sido sucesso inconteste três anos antes: a imigração italiana, figurada na megaprodução de época Terra Nostra.

O projeto não era novo. Desde o fim de seu trabalho anterior, Benedito Ruy Barbosa deseja dar continuidade à saga que conquistara o país. A ideia original do autor – que terminara Terra Nostra não com um “Fim”, mas com um “Essa história não acaba aqui” – era trazer os personagens, oriundos do fim da última novela, para a época da Segunda Guerra Mundial. No ano anterior ao início do projeto, entretanto, Lauro César Muniz emplacava sua minissérie Aquarela do Brasil, ambientada nos anos 40. Benedito perdia sua ideia, mas não a vontade de falar novamente da imigração no começo do século.

Esperança se passava nos anos 30, quando o crack na Bolsa de Valores de Nova York causava tumulto na economia mundial e levava ao empobrecimento vários países europeus. Com isso, advinham nesses países regimes políticos totalitários, como o fascismo e o nazismo. Esse contexto enquadra o protagonista, Toni (Reynaldo Giannechini), um jovem citadino de Civita, filho do velho pianista decadente Genaro (Raul Cortez), e perdidamente apaixonado por Maria (Priscila Fantin), filha do fascista Giuliano (Antonio Fagundes).

O primeiro capítulo já denotava que essa era uma novela típica de Benedito Ruy Barbosa, dirigida por Luiz Fernando Carvalho. As tomadas cinematográficas do povoado italiano, as belas cenas de casais apaixonados correndo pelos campos verdejantes… Fora as interpretações de Raul Cortez e Antonio Fagundes, mais uma vez fazendo uma dupla de inimigos.

Configurava-se a trama do amor impossível, que culminava na fuga de Toni, e em sua promessa de retornar quando estivesse estabilizado, no Brasil. Ao chegar aqui, é abrigado por diversas famílias. Primeiro, o negro Matias (Milton Gonçalves). Em seguida, os espanhóis Manolo e Soledad (Otávio Augusto e Denise Del Vecchio), pais de Mercedes (Gisele Itié). E, por fim, os judeus Ezequiel e Tzipora (Gilbert e Eliana Guttmann), pais de Camille (Ana Paula Arósio), o outro vértice do triângulo, com quem Toni casa-se.

Em paralelo, contava-se a história de Francisca “Mão-de-Ferro” (Lúcia Veríssimo), uma fazendeira dura, que mantinha uma rivalidade com os italianos que se instalavam na propriedade vizinha: a família de Vicenzo e Constância (Othon Bastos e Araci Esteves). E, como se trata de uma novela, os filhos de Francisca (Miriam Freeland e Ranieri Gonzáles) tinham de se apaixonar pelos do casal de vizinhos (Emílio Orciollo Netto e Simone Spoladore).

O começo da novela, apesar do sucesso relativo de audiência, foi marcado pelo estranhamento à fala dos estrangeiros, que levava à pouca compreensão do público. Com o tempo, as pessoas se acostumaram e o autor “abrasileirou” o texto. Até então, tudo bem. Mas os grandes problemas ainda estavam por vir. Primeiro, a Copa do Mundo, com apenas um mês do início da trama, chamando todas as atenções para o penta do Brasil. Em seguida, o horário eleitoral gratuito da campanha para Presidente da República, levando a novela entrar mais tarde no ar. Fora isso, a imprensa não parava de taxá-la como um remake mal-acabado do trabalho anterior do autor. E dá-lhe notinhas com a alcunha “Semelhança”.

Em seguida, iniciam-se as urucubacas ao qual elenco, direção e autoria foram submetidos. Na gravação de uma das sequências mais fortes da novela, Ana Paula Arósio e Reynaldo Giannecchini se acidentam, fazendo o galã perder um dente. Em seguida, Benedito é submetido a uma cirurgia de ponte de safena. Meses depois, a mãe do autor é hospitalizada. Resultado da equação: atrasos na entrega dos capítulos, acarretando atrasos nas gravações, e, consequentemente, reclamação do elenco. Beatriz Segall, por exemplo, chamada para uma participação especial como a mãe do português João Manuel (Nuno Lopes), saiu atirando para todos os lados.

Reveja a sequência da discussão entre Toni e Camilli, em que Reynaldo Giannecchini e Ana Paula Arósio acabaram se acidentando:


O saldo foi negativo. Benedito, afastado da novela, foi substituído por Walcyr Carrasco, que mudou seus rumos e arranjou um desafeto com o autor original. Idiotizou alguns personagens, criou outros, e transformou Farina (Paulo Goulart) no grande vilão da história. Benedito, chateado, reclamou, deixou sua insatisfação clara e a Globo não gostou. Nos anos que se seguiriam, o autor seria “rebaixado” para o horário das seis.

Esperança foi, para mim, bem mais que uma mera cópia de Terra Nostra. Foi uma novela que trouxe novos valores e, talvez, uma estética mais elaborada que sua antecessora. Se a ideia foi mal aproveitada, muito se deve a questões externas ao trabalho de texto, elenco e produção. Um de seus traços marcantes, o retrato dos diversos povos que passaram a compor o Brasil no começo do século XX, ficava claro em sua abertura, onde a mesma música era interpretada em português, pelo Fama Coral, em italiano, por Laura Pausini, em espanhol, por Alejandro Sanz, e em hebraico, por Gilbert. Tal característica, bem como um belo retrato histórico do início da industrialização do país, merecem, no mínimo, uma releitura por parte da crítica especializada.

Veja um clipe de lançamento da novela, com a música cantada nos quatro idiomas. E também a abertura, na versão cantada em italiano, por Laura Pausini:


Fotos e Vídeos: Divulgação / Youtube

*Fábio Leonardo é piauíense  formado em História e apaixonado por tal, o que talvez o faça também ser um admirador de telenovelas e interessado pesquisador do gênero. Dedica parte de seu tempo ao seu Blog, o Super Cult. Você pode seguí-lo no twitter.com/fabioleobrito.

DESPEDIDA DE SOLTEIRO: 15 ANOS ATRÁS, DE VOLTA EM VALE A PENA VER DE NOVO

Pelo Convidado Eduardo Secco*

Parece que foi ontem. Mas lá se vão quinze anos da reprise de Despedida de Solteiro. Caso único de repeteco que voltava ao ar no mesmo dia em que a Globo estreava uma trama inédita (a das 18h, Quem é Você), a trama de Walter Negrão esteve em cartaz no Vale a Pena Ver de Novo até agosto de 1996, e foi garantia de bom entretenimento para o público que costuma ver TV à tarde.

João Marcos (Felipe Camargo)

Para quem não se lembra, a novela era focada na amizade de João Marcos (Felipe Camargo), Pedro (Paulo Gorgulho), Pasqual Papagaio (Eduardo Galvão) e Matheus, o Xampu (João Vitti). Em 1985, às vésperas do casamento de João Marcos, eles se reúnem e decidem promover uma despedida de solteiro no bordel de Lola (Yoná Magalhães), que acaba interrompida assim que a todo-poderosa da cidade, Emília Souza Bastos (Lolita Rodrigues), por intermédio de seu advogado, Sérgio Santarém (Marcos Paulo), consegue uma ordem de despejo e expulsa a prostituta da cidade. Lola leva consigo todas as meninas, mas acaba deixando Salete (Gabriela Alves), que incita os rapazes a continuarem a farra. No dia seguinte, tão logo a cerimônia do casamento de João Marcos com Lenita (Tássia Camargo) se encerra, o rapaz e seus amigos são presos pelo estupro seguido de morte de Salete. A prisão do agora marido era a concretização da previsão de uma cartomante (Geórgia Gomide) a quem Lenita procura logo no primeiro capítulo. Ao questioná-la sobre sua felicidade no casamento, Lenita se vê desesperada ao saber que uma morte atravessa a sua união.

Pedro (Paulo Gorgulho)

Presos e condenados, João Marcos, Pedro e Pasqual retornam a Remanso após sete anos, em liberdade incondicional, e encontram suas vidas completamente modificadas. Lenita agora está casada com Sérgio Santarém, com quem teve uma filha, a doce Bibi (Fernanda Nobre). Vítimas das agressões e do vício em cocaína do marido (revelado por Lenita na ocasião da disputa pela guarda de Bibi), a ex de João Marcos se vê novamente envolvida por ele, que passa a lutar pela descoberta do verdadeiro culpado pela morte de Salete.

Já Pedro se envolve com Flávia (Lúcia Veríssimo), irmã de Xampu, para desespero da mãe da moça, Emília. E descobre que seu pai adotivo, Vitório (Elias Gleiser), que vive do cultivo de flores (as plantações eram, de longe, os cenários mais bonitos da novela), adotou outro menino, Léo (Patrick Oliveira). Decidido a encontrar a verdadeira mãe do menino, Pedro confronta Marta (Lucinha Lins), irmã de Pasqual que abandonou o filho, fruto de seu romance com Sérgio Santarém, para assumir os negócios do irmão, o “Empório Pasqual Secos & Molhados”.

Paschoal Papagaio (Eduardo Galvão)

Pasqual, em seu retorno, se via às voltas com seus muitos rolos amorosos, dentre eles Socorro (Cristina Mullins) e Nina (Helena Ranaldi). Acaba abandonado pelas duas e se consolando nos braços de Carol (Leila Lopes), dona da academia de ginástica da cidade. Academia na qual a então ex-paquita Letícia Spiller fazia sua estreia como atriz, vivendo a jovem Debbie, do núcleo jovem da novela, que incluía ainda o casal Paula (Patrícia Perrone) e Franco (Guga Coelho), professor de informática.

Xampu é o único dos amigos que não retorna a cidade. Após uma briga no presídio, contrai hepatite B e acaba falecendo (na sinopse, Xampu era violentado, contraindo assim o vírus HIV). Antes se casa com Bianca (Rita Guedes, em sua estreia na TV), deixando a moça em uma confortável situação financeira, para a alegria de sua mãe, Soraya (Ana Rosa), extremamente interesseira. Soraya vivia um casamento em desajuste com o bonachão Sirineu Farfan (Mauro Mendonça), dono do reboque da cidade, cujo pára-choque trazia os seguintes dizeres: “Eu vou tirar você deste lugar”. Sirineu se envolvia com Socorro, ao mesmo tempo em que sua filha, Nina (Helena Ranaldi), moça masculinizada se apaixonava pelo misterioso Mike (Jayme Periard), que ajuda João Marcos a encontrar Jorge Jordão (Othon Bastos), o verdadeiro responsável pela morte de Salete.

Xampu (João Vitti)

Jorge Jordão vivia escondido por Sérgio Santarém, um dos melhores trabalhos de Marcos Paulo. Articulador de toda a trama, Sérgio dominava a ação constantemente. Além de ter ajudado na condenação dos quatro rapazes, mesmo sendo advogado de defesa, era empecilho para o romance de João Marcos e Lenita; vivia perseguindo Marta; e ainda levava a família Souza Bastos à falência, ao se revelar filho bastardo do falecido marido de Emília. No final, após ser preso pela tentativa de sequestro de Léo e Bibi e por tentativa de homicídio contra João Marcos, o vilão acaba morto ao comer uma maçã envenenada oferecida por Glória (Cinira Camargo), sua secretária e amante.

Com um elenco bem escalado, Despedida de Solteiro contou com muitas participações especiais em sua primeira fase: Geórgia Gomide, Mário Lago, Paulo Goulart, Castro Gonzaga e Yoná Magalhães (que retornaria na segunda fase). Após 115 capítulos, a reprise se encerrava em 09 de agosto de 1996, deixando no público um gostinho de vale a pena ver de novo, acaso volte outra vez. rs

Curiosidades

Lenita (Tássia Camargo)

– A trama tem inicio no dia 06 de abril de 1985, sábado, véspera do casamento de João Marcos (Felipe Camargo). Na manhã do domingo, 07 de abril, a prostituta Salete (Gabriela Alves) é assassinada, na fictícia Cachoeira das Antas. No mesmo dia, ocorre o casamento de João Marcos e Lenita (Tássia Camargo) e a prisão dos quatro amigos.

– Um botão da camisa de João Marcos serviu como uma das provas do crime. O mesmo foi encontrado na pedra em que o corpo de Salete fora abandonado.

– Antes do julgamento, João Marcos, Pedro, Pasqual e Xampu passaram três meses presos. Acabaram condenados por sete votos a zero, cada um, a 15 anos de reclusão por homicídio qualificado e 06 anos, por estupro, totalizando 21 anos, em regime fechado.

O vilão Sérgio Santarém (Marcos Paulo)

– O nome completo dos quatro amigos eram Pedro da Vinci, João Marcos Batista Barbosa, Pasqual Cavini e Matheus Souza Bastos. Já Lenita era apelido para Madalena.

– O título provisório da trama, Adeus Muchachos, veio de um bolero gravado por Nelson Gonçalves. A última cena da novela reunia o elenco cantando tal música: “Adeus muchachos, companheiros desta vida; adeus amigos, meus camaradas. Já chega o tempo de empreender a retirada, chegou o dia do adeus, rapaziada!”

Fotos: Arquivo Pessoal / Divulgação

*Eduardo Secco é fisioterapeuta por formação. Porém, exerce a arte de ser roteirista de TV. Mesmo em seu início, já traz em seu currículo a autoria de dois textos de minisséries produzidas e gravadas pela produtora independente Casablanca Models, de Curitiba (PR). Eduardo é nascido e residente em Mogi Mirim (SP). Siga-o  no twitter.com/DuhSecco  

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