ZAPPIANDO

Arquivo para a categoria ‘Especiais’

“O ASTRO”: O AUTOR ALCIDES NOGUEIRA FALA COM EXCLUSIVIDADE AO ZAPPIANDO

Nesta terça (12), é dia de estreia na Rede Globo. Entra no ar a ‘novela das onze’ “O Astro“.

Baseada na obra de Janete Clair, uma novela que fez grande sucesso nos anos 70, a nova versão causa grande expectativa na emissora e no público.

Às vésperas da estreia, o autor Alcides Nogueira, que assina o folhetim com Geraldo Carneiro, fala com exclusividade ao Zappiando.

“É um trabalho que vendo feito com muito carinho, com muita garra, com muita vontade de acertar”, disse ele.

A primeira versão foi responsável por um dos “quem matou?” mais famosos da Teledramaturgia Brasileira. Naquela época, o público queria saber ‘quem matou Salomão Hayalla?’.  Perguntado sobre o feito para a nova versão e quem poderia ser o possível assassino, Alcides despista: “Isso é segredo de estado!”

Leia a seguir a entrevista na íntegra.

Como surgiu o convite para inaugurar o projeto? De onde partiu a ideia de ser o remake de “O Astro”? Havia outra novela cogitada?
Não se trata de um remake, mas de uma nova versão, já que houve várias alterações, a começar pelo formato. Não é uma novela, mas uma série. O pai do projeto foi o Roberto Talma. Ele convidou Geraldo Carneiro e eu para sermos os autores de o novo “O Astro”, e Mauro Mendonça Filho para ser o diretor-geral. Não havia outra novela cogitada. Foi o Talma quem “vendeu” o projeto para a emissora.

– Qual é a responsabilidade de inaugurar o projeto?
Uma responsabilidade muito grande. Mas também um desafio estimulante. “O Astro”, além de celebrar os sessenta anos da teledramaturgia brasileira e de ser uma homenagem a Janete Clair, é também a ponta de lança de um novo formato e de um novo horário para se contar histórias.

Sobre a obra, o que será diferente da trama original? Você inseriu e/ou cortou personagens?
Geraldo Carneiro e eu atualizamos as tramas de Janete. Como tenho dito sempre, os pilares da história serão mantidos, mas cortamos personagens, inserimos outros, mudamos alguns núcleos. Afinal, a versão original tinha 180 capítulos, e a nossa, 60.

Na 1ª versão, o “quem matou?” foi um dos mais famosos da Televisão Brasileira. Você manterá o assassino original ou o público pode esperar surpresas e arriscar um novo bolão?
Ah, isso é segredo de estado. Janete foi a primeira autora a explorar com maestria esse expediente teledramatúrgico. Ele vem sendo bastante usado desde então, e sempre provoca emoções. Vamos tentar manter o mesmo clima. Façam seus bolões de apostas!

Após “O Astro”, o público pode esperar por outras novelas no horário ou esta será a unica?
A proposta é que seja um novo horário para a teledramaturgia. Mais ou menos como eram as antigas novelas das dez. Só que, agora, com um formato diferente, mais próximo das séries e minisséries. Isso é ótimo, pois o folhetim televisivo é uma instituição aqui no Brasil.

Você conta em sua equipe, com dois novos talentos como colaboradores. Como está sendo trabalhar com o Vitor de Oliveira e com o Tarcísio Lara Puiati. O que você tem a dizer sobre eles?
Geraldo e eu estamos encantados com Vitor e Tarcísio, dois jovens talentos, extrema-mente promissores. São inteligentes, criativos, éticos, companheiros… e gostam da tele-visão, dessa linguagem que é única.

E por fim, a sua expectativa para este novo trabalho?
Toda a equipe torce para que dê certo, pois é um trabalho que vendo feito com muito carinho, com muita garra, com muita vontade de acertar.

Veja o vídeo com a prévia da novela, divulgado pela emissora.

Foto e Vídeo: Divulgação/Youtube

Siga o Zappiando no twitter.com/Blog_Zappiando. Curta a nossa página no Facebook.

Anúncios

OS 70 ANOS DO AUTOR WALTER NEGRÃO

Neste dia 24 de maio um grande profissional da teledramatugia brasileira comemora 70 anos de vida, o autor Walter Negrão.

Nascido em Avaré, no interior de São Paulo, trabalhou como jornalista em jornal e revista e iniciou sua carreira na TV como ator, nos anos 1950. No final desta mesma década, estreou como autor, escrevendo para o “Grande Teatro Tupi“.

Em telenovelas, seus primeiros trabalhos foram adaptações de textos radiofônicos e no final da década de 60 começou a trabalhar com Geraldo Vietri, com quem colaborou em “Antônio Maria” (1968/69), e dividiu a autoria de “Nino, o italianinho” (1969/70).

Na Rede Globo estreou em 1970, finalizando a novela “A Cabana do Pai Tomás”, e em seguida, “A Próxima Atração“. Em 1972, escreveu o sucesso “Primeiro Amor“. Nesta novela criou a dupla de personagens Shazan e Xerife, que originou um seriado. Nos anos seguintes escreveu “Cavalo de Aço” e “Super Manoela“. E na segunda metade da década voltou a escrever novelas para Tupi.

Em 1980 retornou à Globo e logo de cara escreveu “Chega Mais” (1980), seguida de “As Três Marias” (1980/81), o seriado “Obrigado Doutor” (1981), e supervisionou “O Amor é Nosso” (1981). Ainda nesta década escreveu “Livre Para Voar”  (1984/85) e  “De Quina Pra Lua” (1985/86) , e os grandes sucessos de sua carreira: “Pão Pão Beijo Beijo” (1983), “Direito de Amar” (1987), “Fera Radical” (1988) e “Top Model” (1989), esta em parceria com Antonio Calmon.

Nos anos 90, escreveu as minisséries “O Sorriso do Lagarto” (1991)e “Madona de Cedro” (1994) e as novelas “Despedida de Solteiro”, “Tropicaliente” (1994), “Anjo de Mim” (1996/97) e “Era Uma Vez” ((1998/99), no horário das seis. E no final da década e inicio da de 2000, “Vila Madalena“, no horário das sete.

Já nos anos 2000, dividiu a autoria da minissérie “A Casa das Sete Mulheres” (2003), com Maria Adelaide Amaral. E escreveu as novelas: “Como Uma Onda” (2004/05), “Desejo Proibido” (2007/08) e, recentemente, “Araguaia” (2010/11), todas no horário das seis.

Negrão é um autor discreto, não faz grandes alardes com suas novelas, mas sempre conta boas histórias. Mesmo com tantos trabalhos no currículo, é perceptível uma vontade em se fazer o trabalho. Uma de suas características é sair sempre do eixo Rio-São Paulo e mostrar o Brasil. Maringá (PR), em “Despedida de Solteiro“, Fortaleza (CE), em “Tropicaliente“, Florianópolis (SC), em “Como Uma Onda“, Minas Gerais, em “Desejo Proibido” e o “Araguaia“.

E saude para o Negrão, para que venham outros ‘brasis’ por ai.

No livro “Autores – Histórias da Teledramaturgia”, do Projeto Memória Globo, Negrão diz:

Gosto de conhecer gente. Quando viajo, não me interessam as pontes, os castelos. Prefiro as pessoas. Gente sempre traz história.

Foto: Divulgação

Siga o Zappiando no twitter.com/Blog_Zappiando

DIA DAS MÃES: RELEMBRE ALGUMAS BOAS REPRESENTANTES DA FICÇÃO

Neste domingo (8) é Dia das Mães. Da minha mãe em dose dupla pois é também o aniversário dela. Na ficção elas têm legítimas representantes. Assim como na vida real, tem as super mães e aquelas mães que são “filhas da mãe”, para não dizer outra coisa.

No meio deste universo todo, vamos relembrar algumas!

O que dizer de  Dona Lola (Irene Ravache), de “Éramos Seis” (SBT), a mulher que viveu por aquela família, dedicando-se ao marido e aos filhos e terminou seus dias em um asilo.

Dona Armênia

A Dona Armênia (Aracy Ballabanian), de “Rainha da Sucata“, que fazia de tudo pelos seus ‘filhinhas’.

 

Helenas e suas filhas

E as Helenas do Maneco? Com especial para a de “Laços de Família” (Vera Fischer) e a de “Por Amor” (Regina Duarte). Uma abriu mão de seu namorado pela filha e posteriormente gerou um filho para salvar sua vida. E a outra, trocou o filho vivo pelo natimorto da filha, por ela não poder gerar mais.

Tereza

E a Tereza (Lilia Cabral) de “Viver a Vida“, que depois do acidente da filha, Luciana (Alinne Moraes), passou a viver em função dela, deixando sua vida de lado.

Ingrid

Ainda em “Viver a Vida“, a superprotetora Ingrid (Natália do Valle) que queria escolher o futuro dos filhos, era contra seus namoros, mas no fundo queria o melhor para eles.

Baronesa

A Baronesa Cândida (Patrícia Pillar), de “Sinhá Moça”, que por muitas vezes enfrentou o marido rude para defender a filha.

Rose

A Rose (Camila Pitanga), de “Cama de Gato“, que tinha uma verdadeira tropa de elite com seus quatro filhos.

Dona Pierina

A Dona Pierina (Nair Bello), de “Uga Uga“, que por mais de dez anos chorou a morte de filho Baldochi (Humberto Martins) e foi consolada pelo outro filho, Van Damme (Marcos Pasquim), e por fim os dois estavam vivos.

Dona Candê

A Dona Candê (Vera Holtz), de “Passione“, que tinha como filho o bandido Fred (Reynaldo Giannecchini) e apoiou a filha Felícia (Larissa Maciel), fazendo ela tomar gosto pela vida novamente e criando a neta Fátima (Bianca Bin), como filha.

Sofia

A Sofia (Zezé Polessa), de “Escrito nas Estrelas“, que vislumbrava um rico futuro para filha, Beatriz (Débora Falabella).

Dulce

A Dulce (Cássia Kiss), de “Morde e Assopra“, que se sacrifica para dar uma boa vida ao filho.

Islene

A Islene (Paula Burlamaqui), de “América“, que era os próprios olhos da filha deficiente visual, a pequena Flor (Bruna Marquezine).

Maria do Carmo

E a Maria do Carmo (Susana Vieira), de “Senhora do Destino“, que nunca desistiu de encontrar a filha sequestrada. Assim como a Odaísa (Isadora Ribeiro), de “Explode Coração“, que mantinha a esperança de reencontrar o filho desaparecido.

Mas, nem só de boas mães sobrevive a ficção. Vamos às mães vilãs e desnaturadas.

Bia

Bia Falcão (Fernanda Montenegro), de “Belíssima“, que rejeitou a filha, Vitória (Cláudia Abreu), duas vezes.

Odete

Odete Roitman (Beatriz Segall),  de “Vale Tudo“, que humilhava a filha Helena (Renata Sorrah).

Nazaré

A sequestradora Nazaré Tedesco (Renata Sorrah), de “Senhora do Destino“, que sequestrou a filha de Isabel (Carolina Dieckmann), que por sua vez era a filha que ela havia sequestrado quando pequena.

Helenas, Roses, Terezas, Do Carmos, Dulces são tão parecidas com a Marias, Aparecidas, Fátimas, Conceição, Luizas, Janetes, Reginas e tantas outras que encontramos por aí. A verdade é que a arte imita a vida e a retrata com tanta fidelidade que nos identificamos.

Fotos e Vídeo: Divulgação/Youtube

@diniz_paulinho

2011: ANO DE COMEMORAÇÕES PARA ANGÉLICA

2011 é um ano de significativas comemorações para a apresentadora Angélica. Isto porque completa 15 anos que a loira está na Rede Globo, e mais ainda, 10 anos a frente do “Vídeo Game” e 5 anos com o “Estrelas”.

No “Angel Mix”

Quando estreou na Globo, em 1996, Angélica ainda era uma apresentadora infanto-juvenil. Suas primeiras atrações na emissora eram voltadas para este público, o “Angel Mix”, com variedades e plateia, no estilo de seus antigos programas no SBT e na Manchete, e a novelinha “Caça Talentos”, na qual a loira pode mostrar um pouco do seu lado atriz, como a protagonista Fada Bella.

Veja o vídeo com a estreia de Angélica na Globo.

Um trecho da novelinha “Caça Talentos”.


Nos anos seguintes, a apresentadora continuou nesta linha. O “Angel Mix” cresceu e ocupou toda a manhã da Globo, e era também para este público os folhetins  “Flora Encantada” e “Bambuluá”, nos quais também protagonizava.

A frente do “Vídeo Game”

A virada na carreira de Angélica se deu em 2001. Ela ganhou uma personagem na novela “Um Anjo Caiu do Céu”, exibida no horário das sete. E no dia 10 de dezembro, ela estreou o quadro “Vídeo-Game”, dentro do “Vídeo-Show”. Logo ela deixou as manhãs da Globo, encerrando “Bambuluá”, no mesmo mês. (Leia mais sobre o “Vídeo Game”)

Trecho da participação da loira como a anja Angelina, em “Um Anjo Caiu do Céu”.

No reality-show musical “Fama”

A partir de 2002, além do “Vídeo Game”, Angélica comandou também o reality-show musical “Fama”, em suas quatro edições até 2005. Nas duas primeiras, ela dividiu a apresentação com o cantor Tony Garrido, mas nas demais esteve sozinha.

Em 2006, ela ganhou um horário nas tarde de sábado e estreou o “Estrelas”. Inicialmente o programa era ancorado dos estúdios, onde Angélica recebia os convidados e juntos assistiam as matérias que haviam gravado e comentavam. Mas, este formato logo se modificou e o programa passou a ser feito todo nas ruas, nos lugares onde gravavam. O que ficou bem melhor. Ao longo, desses 5 anos que o programa está no ar, Angélica e seus convidados já viajaram para vários lugares, saindo do eixo Rio-São Paulo. Estiveram em lugares, como Angra dos Reis, Salvador, Argentina e Estados Unidos. Neste ano, aumentou a sua duração, passando a ter uma hora no ar.

Confira o vídeo do “Estrelas”, em 2006, ainda no formato de estúdio. Nesta edição, Angélica foi homenageado pois completava 10 anos de Globo.


Em 2008, Angélica foi cotada para a ser a protagonista da novela “Negócio da China”, de Miguel Falabella, mas devido aos demais compromissos com a emissora, ela recusou.

Em 2010, a apresentadora mostrou novamente seu lado atriz, no seriado “As Cariocas”. Angélica era Maria Tereza, “A Traída da Barra”, atuando ao lado de seu marido, Luciano Huck, e sendo dirigida por Daniel Filho.

Com Luciano e os filhos.

Em 15 anos, a vida pessoal de Angélica também mudou e muito, inclusive no estado civil. Ela namorou Maurício Mattar e Luís Carlos Calainho, mas, se casou com Luciano, em 2004. Em 2005, nasceu o primeiro filho do casal, Joaquim, e em 2007, o segundo, Benício.

Angélica anunciando sua 1ª gravidez no “Fantástico”


Hoje Angélica é uma apresentadora consagrada e está entre as melhores da Televisão Brasileira. Sabe fazer muito bem, tem domínio da situação e tem naturalidade no que faz.  E merece estar onde está!

GLOBO 46 ANOS DE TELENOVELAS – PARTE 2

Continuando a História das Telenovelas da Rede Globo:

Se os anos 70 havia sido de experimentalismo, nos anos 80 a inovação continuou, mas, com ainda mais ousadia.

Em 1980, Gilberto Braga escreveu “Água Viva” e criou a figura do colaborador. As novelas estavam um pouco maiores, com mais tramas, o que seria trabalho demais para uma pessoa só. Gilberto havia escrito sozinho “Dancin’Days” em 1978, e alegou à emissora que era um trabalho estressante para se fazer sozinho. E solicitou uma pessoa para auxiliá-lo em “Água Viva“, e por volta do capítulo 60, passou a escrever com Manoel Carlos. Daí em diante, a figura do colaborador se tornou comum e necessária às novelas, com exceção de alguns autores, como Glória Perez, que até hoje escreve suas novelas sozinha.

Em 1983, a Teledramaturgia Brasileira teve uma grande perda com o falecimento da autora Janete Clair. A esposa de Dias Gomes estava no ar com a novela “Eu Prometo“, que foi continuada pela até então colaboradora Glória Perez.

Neste mesmo ano, a comédia rasgada deu o tom ao horário das sete, com “Guerra dos Sexos“. O autor Sílvio de Abreu e o diretor Jorge Fernando colocaram em cena dois grandes atores do Teatro Brasileiro, Paulo Autran e Fernanda Montenegro. Uma das memórias desta novela é a antológica cena do café da manhã em que um joga comida no outro.

Veja a cena de Guerra dos Sexos.


Em 1985, dez anos depois de sua censura, “Roque Santeiro” é refeita com outro elenco, com Regina Duarte como Viuva Porcina e José Wilker como Roque, desta vez recusados por Betty Faria e Francisco Cuoco, e se torna um grande sucesso. Até hoje “Roque Santeiro” é novela de maior audiência da Televisão Brasileira. E nos parâmetros atuais, dificilmente será superada. A novela será reprisada a partir de julho pelo Canal VIVA, subtituindo “Vale Tudo“.

Cena do último capítulo de “Roque Santeiro”.


E por falar em “Vale Tudo“, a obra de Gilberto Braga e Aguinaldo Silva foi um grande sucesso em 1988 retratando o Brasil e a sociedade da época. Vale a pena ser honesto no Brasil? Indagava a trama. E todo mundo queria saber: “Quem matou Odete Roitman?”. Hoje, quase 23 anos depois, com figurino e cenografia à parte, a novela reprisada pelo VIVA ainda é bem atual.

A cena do assassinato de Odete Roitman.


Esta foi uma década de grandes sucessos. Podemos citar ainda: “Baila Comigo” (1981), “A Gata Comeu” e “Tititi” (1985), “Sassaricano” (1987), “Fera Radical” (1988), “Top Model“, “O Salvador da Pátria“, “Que Rei Sou Eu?” e “Tieta” (1989).

Nos anos 90, o formato das telenovelas se modificou um pouco mais. Os capítulos passaram a ter aproximadamente uma hora no ar, e com isso as tramas aumentaram, com mais núcleos  e personagens. E foram nesses anos que a Globo viu sua audiência pulverizada. Emissoras como SBT, Manchete e Bandeirantes começaram a disputar uma fatia deste bolo.

Em 1990, “Pantanal” na Manchete chamou a atenção da crítica e do público. Na Globo, “Rainha da Sucata” estreava com um elenco estrelar para comemorar os 25 anos da emissora. A novela não sofreu tanto com audiência, mas era rejeitada pela crítica. A Manchete espera a novela das oito acabar para colocar “Pantanal” no ar. Tentando segurar a audiência, a Globo retomou as “novelas das dez”, e lançou “Araponga”, que não obteve o efeito esperado. (Clique aqui e leia mais sobre “Pantanal“)

No ano seguinte, foi a vez do SBT incomodar. A mexicana “Carrossel” fazia o público mudar de canal e deixar de ver “O Dono do Mundo“, a novela das oito.

Após “Pantanal”, o autor da novela, Benedito Ruy Barbosa, retornou à emissora e escreveu sucessos como “Renascer“, “O Rei do Gado” e “Terra Nostra“, nessa década.

Ivani Ribeiro foi a responsável pela melhor audiência dos horários das seis e das sete, com “Mulheres de Areia” (1993) e “A Viagem” (1994), respectivamente.

Em 1995, o Brasil parou para descobrir quem era o serial-killer responsável pelos assassinatos em série de “A Próxima Vítima“, de Sílvio de Abreu. O último capítulo da novela rendeu até matéria exibida no Jornal Nacional.

Veja o vídeo com a matéria.


Já na segunda metade da década, houve sucessivo fracassos de audiência, principalmente nos horários das seis e das sete. Como os mal-sucedidos remakes da obra de Janete Clair,  “Irmãos Coragem“, em 1995, e “Pecado Capital“, em 1998.

Destaques bem-sucedidos para a estreia de Miguel Falabella como autor de novelas, com “Salsa e Merengue“, em 1996, e para as novelas de Manoel Carlos: “Felicidade” (1991) e “História de Amor” (1995), e “Por Amor“, às oito. Esta última, uma novela “barraqueira”, pois sempre rendia um bom barraco na trama. E ainda, em 1997, a releitura de Maria Adelaide Amaral para “Anjo Mau“, de Cassiano Gabus Mendes.

Um dos barracos de “Por Amor”.

Nos anos 2000, a audiência das outras emissoras estava ainda mais fortalecida e o perfil do público também estava um pouco diferente. O realismo-fantástico – em que histórias apresentam situações um tanto quanto absurdas para a realidade, como o cara que cai no buraco e vai parar no Japão -, por exemplo, já não era mais aceito pelo público.  Porém,  nesta primeira metade da década, a maioria das novelas fizeram grande sucesso de público, crítica e repercussão.

Novelas como “Laços de Família“, “Mulheres Apaixonadas“, “O Clone” e “América“, as duas primeiras de Manoel Carlos e as outra de Glória Perez, apresentaram os chamados merchandisings sociais e motivaram campanhas em prol da sociedade, como o transplante de medula óssea, c0mbate às drogas, o estatuto do idoso e deficência visual.

Já na segunda metade, as novelas começaram a ter mais dificuldades para conquistar sua audiência. Desde “Paraíso Tropical“, em 2007, as novelas das nove estrearam abaixo dos 40 pontos no IBOPE. Algumas se recuperam depois, outras, como as mais recentes dificilmente ultrapassaram esta marca.

A Favorita“, em 2008, foi uma grata surpresa. A novela estreou com 35 pontos na Grande São Paulo, o menor até então. Porém, apresentava um enredo inovador. Somente no capítulo 60 o público descobriu quem era a mocinha e quem era a vilã.

Cena em que Flora confessa ser a assassina e a grande vilã da novela.

Nesta década ainda, Walcyr Carrasco escreveu várias novelas para os horários das seis e das sete, misturando amor e comédia. Começando com “O Cravo e a Rosa“, em 2000, até a atual “Morde e Assopra“, passando por outras como “A Padroeira“,  “Chocolate com Pimenta“, “Alma Gêmea“, “Sete Pecados” e “Caras e Bocas“.

Às seis horas, outras novelas de sucesso foram os remakes de Benedito Ruy Barbosa: “Cabocla” (2004), “Sinhá Moça” (2006) e “Paraíso” (2009). Desde “Paraíso“, o horário vem mantendo a audiência estabilizada com “Cama de Gato“, “Escrito nas Estrelas“, “Araguaia” e agora, “Cordel Encantado“.

Às sete, há maior oscilação. A recente “Ti Ti Ti”, de Maria Adelaide Amaral, foi um dos grandes destaques.

Cena final de “Tititi”

Segundo informações do Portal R7, neste ano em que a emissora completa 46 anos, registra a menor audiência de sua história, o que acaba refletindo em suas novelas, seu principal produto. Mas, tem que se levar em consideração que atualmente é grande o número de pessoas que assistem novelas pela internet ou pelo celular. Apesar de que algumas recentes realmente não têm empolgado, ou pelo menos, não têm cumprido o que prometem antes da estreia.

Foto e Vídeos: Divulgação/Youtube

@diniz_paulinho

GLOBO 46 ANOS DE TELENOVELAS – PARTE 1

Leila Diniz e Reginaldo Faria em cena de "Ilusões Perdidas" (1965)

 26 de abril de 1965. Entrava no ar a Rede Globo de Televisão. E neste mesmo dia, como parte da programação da emissora, estreava também a sua primeira telenovela, “Ilusões Perdidas”. Nesta época, o formato era diferente do de hoje. Os capítulos eram exibidos duas vezes por semana, ao vivo e com vinte minutos de duração cada. Em seu total, uma novela ficava três meses no ar. O enredo também era mais curto, o que consistia em um elenco bem enxuto. “Ilusões Perdidas”, por exemplo, contou com apenas oito atores.

Ainda nos anos 60, a Globo contratou a cubana Glória Magadan que começou a escrever novelas que se passavam na Corte Austríaca, no Marrocos, no Japão e em reinos europeus, e não condiziam com a realidade brasileira. Em 1967, Janete Clair foi contratada para auxiliar Glória Magadan e escreveu “Anastácia, a Mulher Sem Destino” e depois, “Sangue e Areia”.

Até que em 1969, a TV Tupi produz a novela “Beto Rockfeller”, ambientada no Brasil e com a realidade do país. A novela foi um grande sucesso e fez as outras emissoras mudarem seus padrões. A Globo acompanhou as demais. Demitiu Glória Magadan e contratou Dias Gomes e permaneceu com Janete. E ainda em 1969, estreou a novela “Véu de Noiva”, já com a nova roupagem.

Tarcísio Meira e Glória Meneses, em "Irmãos Coragem"(1970)

A partir da década de 1970, a telenovela se tornou um dos principais produtos da emissora. Neste mesmo ano, Janete Clair escreveu aquela que seria um grande sucesso, “Irmãos Coragem”. A novela chamou atenção não só das mulheres, mas também dos homens, um feito para a época.  Ficou no ar mais de um ano e teve 328 capítulos.

Francisco Cuoco e Regina Duarte, protagonistas de "Selva de Pedra" (1972)

Esta foi uma década de experimentalismo na emissora, com novelas inovadoras.  Logo na primeira metade da década, podemos citar: “O Rebu”, em que toda a trama se passava em uma noite e o dia seguinte e instigava o público a descobrir quem morreu e quem matou; “Selva de Pedra”, que em determinado capítulo atingiu 100% de audiência na cidade do Rio de Janeiro; e “O Bem-Amado”, com a história do prefeito que queria que alguém morresse para inaugurar o cemitério da cidade.

Em 1975, a Globo completava 10 anos e queria comemorar com grandes produções e “Roque Santeiro” era uma delas. Mas, a ditadura descobriu por grampo no telefone do autor Dias Gomes que a novela era adaptação da peça dele “O berço do Heroi”, que havia sido censurada. E a novela foi também censurada no dia de sua estreia. A notícia foi dada no Jornal Nacional. Para tapar o buraco, a emissora colocou no ar a reprise de “Selva de Pedra” compactada e encomendou uma nova novela a Janete Clair, com o elenco de “Roque”. Às pressas, Janete criou “Pecado Capital”, o que acabou sendo um grande sucesso.

No mesmo ano, a emissora estreou um novo horário de novelas, às seis horas, com adaptações de obras literárias e em até 80 capítulos. Foi produzida então “Senhora”, “A Moreninha”, “Escrava Isaura”, “A Sucessora”, “Maria Maria”, “Dona Xepa”, entre outros. Nesta segunda metade da década, foram produzidas outras novelas de sucesso em outros horários, como “Anjo Mau“, de Cassiano Gabus Mendes, às sete; “Saramandaia”, de Dias Gomes, às dez;  “O Astro”, de Janete Clair (que terá remake em julho deste ano), e “Dancin’Days”, de Gilberto Braga, às oito.  Esta última ditou moda com as meias de lurex, sandálias altas, roupas coloridas e os sucessos de discotecas.

Fotos e Vídeos: Divulgação/Youtube

Acompanhe amanhã a 2ª Parte.


SORRIA MEU POVO, CHICO REI CHEGOU

*Pelo Convidado José Marques Neto

Fiquei pensando na forma em que chegaria ao ao blog do meu amigo Paulo Ricardo Diniz e fazer jus a tão nobre convite.

Escrever sobre um tema tão vasto como é a televisão e saudosista como sou da fase mais romântica de outrora deveria resultar num assunto que abrangesse presente e passado de forma inquestionável.

Claro que Chico Anysio representa muito bem os tempos áureos do humor tanto na tevê quanto no rádio brasileiro.

É da maior importância louvar este que é um dos maiores atores do mundo – afinal interpretar cerca de 200 personagens não é mérito para qualquer um – o que também por tabela nos leva à conclusão de que Chico Anysio é indubitavelmente um gênio já que todos esses tipos saíram de sua inventiva imaginação. Não saíram de páginas escritas por Shakespeare, Tolstoi ou Machado de Assis mas da arte tão ampla, criativa e diversa de Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho.

Chico Anysio já seria gênio só se fosse o excepcional ator e autor dos melhores sem precisar também ser compositor, pintor, escritor de livros e até cantor dentre tantos outros dotes artísticos.

Não vou enumerar o quão importante Chico Anysio é para a cultura pop brasileira, resultaria num texto enorme, optando por lembrar do Chico televisivo que conheci lá pelos anos setenta, quando criança, assistindo ao humorístico Chico City.

‘Isso é muito bom, isso é bom demais’ eram a senha em forma de versos para que corresse para frente da tevê e me encantasse com aqueles tipos tão engraçados quanto brasileiros que entravam pontualmente às quintas depois de O Semideus, ou de Cavalo de Aço, ou de Fogo Sobre Terra, ou de Pecado Capital… As novelas se sucediam no horário das oito e os personagens de Chico City continuavam reinando absolutos nas noites de quinta.

As cores chegaram à Chico City lá por 1975 mas demorariam ainda um pouco a chegar em minha casa, o que me incitava vez ou outra a assistir ao Véio Zuza,  Seu Popó, Lingote ou Pantaleão na casa de meus avós.

Durante os anos 80 e 90 continuou como um dos maiores nomes da Rede Globo de Televisão e sempre foi reconhecido também por valorizar e dar oportunidade para um sem número de comediantes de todas as gerações atuarem em seus programas. Hoje Chico e sua turma ainda podem ser vistos no Canal Viva em duas atrações, Chico Total (produzido em meados dos anos 90) e na inesquecível Escolinha do Professor Raimundo, que era exibida na Globo desde 1990 de segunda à sábado.

Onde mais poderíamos rir com talentos das antigas como Antonio Carlos, Walter D’Ávila, Mário Tupinambá, Zezé Macedo e Costinha e outros da então novíssima geração 90 como Tom Cavalcante e Pedro Bismarck senão na companhia do Professor Raimundo, digo, na companhia do mestre Chico Anysio?

Há poucos dias o velho Chico completou oitenta anos.

Há pouco mais se restabelece de problemas de saúde que obrigaram a um período longo de internação.

Sua arte contudo permanecerá intacta independente de se um dia precisar curtir uma aposentadoria.

Já aquele garotinho que assistia à Chico City em preto-e-branco termina essa modestíssima homenagem lembrando de um domingo, pra ser conciso o Dia das Mães de 1976, quando estava na casa da sua bisavó em Botafogo e nunca apagou da memória esse momento:

O Brasil aplaude Chico Anysio. Emoções assim não têm preço.

 *José Marques Neto, ou simplesmente Neto, é também carinhosamente conhecido como “Sr. Mofo TV”. Tudo pelo canal online com este nome que ele mantém. O material do Mofo TV provém da vasta coleção de seu editor, em VHS.  Além do Blog, Neto também escreve em colunas para outros sites e é uma boa fonte para programas de TV e reportagens sobre o universo televisivo. 

Em 2009, tive a honra de contar com a participação dele no meu Trabalho de Conclusão de Curso, o Vídeo-Documentário “Fábrica de Ilusões – Décadas de Telenovelas – Do Realismo ao Fantástico”.

Você pode visitar o Blog Mofo TV: http://www.mofotv.blogspot.com/ e seguir o Neto no twitter.com/Marque_Neto.


Foto: Divulgação

Vídeos: Youtube / Mofo TV

@diniz_paulinho

Nuvem de tags