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Arquivo para a categoria ‘Nilson Comenta’

NILSON COMENTA “FERA FERIDA”

*Por Nilson Xavier

Em 1993 Aguinaldo Silva nos brindou com uma de suas melhores novelas: Fera Ferida, escrita com Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares. É uma das minha preferidas do autor. Seu universo ficcional regionalista estava todo lá, assim como o realismo fantástico, herdado de Dias Gomes. Tão herdado que Rubra Rosa e Demóstenes (Susana Veira e José Wilker) ateavam fogo na cama nas cenas calientes tal qual as personagens de Sonia Braga e Juca de Oliveira em Saramandaia, de Dias.

Raimundo Flamel, o protagonista, transformava ossos humanos em ouro. Teve até chuva dourada! Doses de nonsense e poesia se misturavam a personagens incríveis baseados na obra do escritor Lima Barreto e muito bem interpretados por um elenco afiado e dirigidos com competência pela equipe de Denis Carvalho.

Mas o grande destaque, e que deixou saudades, foi a personagem vivida por Cássia Kiss. Era impossível não amar Ilka Tibiriçá, uma solteirona amalucada que apaixonava-se por Ataliba Timbó (de Paulo Gorgulho), mas que, para consumar a relação, precisava resolver o problema de impotência dele com receitas exóticas da mais sofisticada culinária. Receitas estas que eram apresentadas ao público como em um programa de culinária. Para completar, a paixão de Ilka pelo universo sessentista do filme “O Candelabro Italiano” ao som da bela canção “Al Di La”.

“Al di la del bene piu prezioso,
Ci sei tu…”

* Nilson Xavier é criador do site Teledramaturgia e autor do livro “Almanaque da Telenovela Brasileira”. Recentemente lançou também o Blog Noveludo.

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NILSON COMENTA “CAVALO AMARELO”

*Por Nilson Xavier 

Em 1983 a Band (que na época se chamava TV Bandeirantes) reprisou pelas manhãs a novela “Cavalo Amarelo”, que Ivani Ribeiro escreveu para a emissora em 1980. A trama, quase simplista, era folhetinesca: um segredo e uma paternidade desconhecida eram os grandes mistérios. Mas a novela é lembrada pelo teor humorístico por conta da presença hilariante de Dercy Gonçalves, que vivia a tresloucada Dulcinéia, dona de um show de teatro rebolado que estava na iminência de perder seu ganha-pão por conta de alugueis atrasados do teatro onde se apresentava.

Para resolver o problema, Dulcinéia se faz valer de um segredo “cabeludo” que o sovina Sr. Maldonado (interpretado pelo ator Rodolfo Mayer), dono do imóvel, esconde, e passa a chantageá-lo. Apesar da atitude nem um pouco ética da personagem, o público torcia por final feliz pela trama de Dulcinéia, que protagonizava cenas do mais puro humor nonsense – como a memorável sequência em que Dulcinéia vai se exercitar em uma academia de ginástica. Digna de programas de humor.

Amores mal resolvidos completavam a novela, como o da vedete Pepita (Yoná Magalhães) e o malandro Téo (Fulvio Stefanini). Ainda a figura de Jaci (Wanda Stephania) uma mulher que se faz passar por homem para ter uma melhor colocação no mercado de trabalho, e tem que esconder seu amor por Zeca (Kito Junqueira) que passa a ajudá-la sem saber que “o” Jaci é na verdade “a” Jaci.

* Nilson Xavier é criador do site Teledramaturgia e autor do livro “Almanaque da Telenovela Brasileira”. Recentemente lançou também o Blog Noveludo.

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NILSON COMENTA “CARINHOSO”

*Por Nilson Xavier

O ano, eu não lembro ao certo, porque era pequeno. Não sei se foi em 1978 ou 1979, acompanhei à tarde à reprise da novela Carinhoso, originalmente apresentada em 1973. Minhas memórias sobre esta novela são poucas. Mas lembro que era romântica com alguns dos atores mais consagrados da época fazendo algo do tipo “troca-troca de pares”: Marcos Paulo, Regina Duarte, Herval Rossano, Débora Duarte, Claudio Marzo, Rosamaria Murtinho, Claudio Cavalcanti, Lucia Alves, Fulvio Stefanini. Todos devem ter flertado entre si pelo menos uma vez! [ironia mode on!].

Não era uma comédia romântica, como de praxe entre as novelas do horário das 7 no início dos anos 70. Era um drama. E como Regina Duarte – perfeita para este tipo de papel – sofria! Sofria por amor “à espera de um homem carinhoso” – como o narrado nas cenas do próximo capítulo. Amava o namoradinho de infância, um playboy inconsequente, interpretado por Marcos Paulo, e nem percebia o amor platônico do irmão certinho dele, Claudio Marzo. Desiludida amorosamente, se entregou em casamento ao pretendente gringo vivido por Herval Rossano. Mas foi infeliz, claro!

Veja o vídeo com cenas da novela

Do outro lado da história, outro quadrilátero amoroso: Fulvio Stefanini amava Rosamaria Murtinho, que amava Claudio Cavalcanti, que amava Lucia Alves… A novela fez muito sucesso, mas o próprio autor, Lauro César Muniz – em sua primeira novela na Globo – reconhece que em nada agregou, pois foi feita sob encomenda, para aproveitar o sucesso popular de Regina Duarte. Uma trama simplista, digna de romance tipo “Sabrina” – que aliás era o nome do filme no qual Lauro se baseou para escrever a novela.

Veja a abertura

Vídeos: Youtube

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NILSON COMENTA “QUEM É VOCÊ”

*Por Nilson Xavier

Em 1995, após o sucesso de “A Viagem”, Ivani Ribeiro apresentou à Globo uma trama inédita, com o título de “Caminho dos Ventos”. A sinopse foi aprovada para o horário das 6 mas Ivani não chegou a desenvolver este trabalho pois viria a falecer ainda naquele ano. A novela foi entregue à sua habitual colaboradora, Solange Castro Neves, que escreveu apenas os primeiros capítulos de “Quem É Você”, o título final. Mas Solange desentendeu-se com a Globo e foi demitida. A novela passou então para as mãos de Lauro César Muniz, que fazia a supervisão do texto.

“Quem É Você” não foi um sucesso, tinha um elenco irregular, uma trama principal que não despertou o interesse do grande público, e tramas paralelas inconsistentes. Mas eu, particularmente, me interessei pela novela, principalmente em um pedaço da história em que a vilã Beatriz (Cássia Kiss) é perseguida pela mocinha Maria Luísa (Elizabeth Savala). Depois de sofrer nas mãos da irmã má, Maria Luísa desaparece, e arquiteta uma vingança contra a megera Beatriz. Esta foi a melhor parte de “Quem É Você”, com direito a uma sala de falso espelho por onde Maria Luísa vigiava a irmã malvada. Um dos raros casos em nossa teledramaturgia em que a mocinha se volta contra a vilã opressora muito antes do final da novela.

Merece destaque também o núcleo de uma casa para idosos onde moram simpáticos velhinhos abandonados por suas famílias. Seus dramas são discutidos com leveza e até humor, sem deixar de criticar esta situação por qual passam várias pessoas na terceira idade. Foi mérito também da produção reunir um belo elenco de atores veteranos – alguns até afastados da TV naquela época: Castro Gonzaga, Ênios Santos, Eloísa Mafalda, Vanda Lacerda, Cléa Simões, Alberto Perez, Eva Todor, Ruth de Souza, Norma Geraldy, Lafayette Galvão, Dirce Migliaccio e Lídia Mattos.

A abertura – com máscaras do carnaval de Veneza – trazia a bela canção “Noite dos Mascarados” numa gravação de Emílio Santiago:

“.. Hoje eu sou da maneira que você me quer / O que você pedir eu lhe dou / Seja você quem for / Seja o que Deus quiser..”

Veja o vídeo com a abertura:

Vídeo: Youtube

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NILSON COMENTA “MANDALA”

*Por Nilson Xavier

Em 1987, Dias Gomes apresentou à Globo uma sinopse baseada no mito “Édipo Rei” de Sófocles, a história do rei que mata o pai e casa com a mãe sem saber. A Censura interveio e obrigou vários cortes na trama, acusando-a de atentatória aos bons costumes. Liberada, com cortes, a novela “Mandala” continuou sendo vigiada. O esperado beijo entre a mãe (Jocasta) e o filho (Édipo) só foi ao ar depois de muita conversa com os censores. Dias saiu e deixou o barco para Marcílio Moraes guiar.

Buchichos sobre o que podia ou não podia à parte, “Mandala” empolgou mais em seu início. A primeira fase, que mostrava a juventude de Jocasta, fez mais sucesso. Ali retratou-se com fidelidade o conturbado momento político brasileiro na década de 60. Levada para a atualidade, a trama perdeu seu frescor, e a história de Édipo e Jocasta foi muito pouco para segurar a novela por meses a fio. Para piorar, as tramas paralelas não empolgaram.

Mas a novela garantiu a audiência média no horário nobre graças à popular figura do bicheiro Tony Carrado, num dos melhores momentos de Nuno Leal Maia na TV. O tipo ignorante, romântico atrapalhado, quase ingênuo em sua paixão intempestiva pela “deusa” Jocasta, davam o tom à sua verborragia repleta de erros. Caiu no gosto do público e nas graças de Jocasta, vivida por uma Vera Fischer em todo o esplendor de sua beleza.

Vale registrar que foi nessa novela que Vera iniciou seu romance com o jovem ator Felipe Camargo, o intérprete de Édipo, com quem se casaria e viveria uma conturbada relação. E a música “O Amor e o Poder”, cantada por Rosana, tema musical que embalava o amor de Jocasta e Tony, foi tocada incessantemente durante a novela, tornando-se um grande hit popular.

“Como uma deeeeusaaaa… você me manteeeeeemmm…”

Veja o vídeo com o final da novela

Vídeos: Youtube (thiagoxv)

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NILSON COMENTA “ANDANDO NAS NUVENS”

*Por Nilson Xavier

O autor Euclydes Marinho obteve mais êxitos como roteirista de minisséries e seriados do que de novelas. Em 1999, ele levou ao ar a novela “Andando nas Nuvens”, uma divertida história sobre um homem que sai do coma depois de mais de uma década e tem que se adaptar a um admirável mundo novo, onde a sociedade e a ciência evoluíram acompanhadas de tecnologias completamente inusitadas para ele.

O grande destaque foi a interpretação de Marco Nanini, como Otávio Montana, o protagonista que andava nas nuvens, mas com os pés no chão. Passando por lunático, conseguiu dar um chapéu no vilão San Marino (Claudio Marzo), o culpado pelos seus males. Com ares de sitcom, leve e divertida sem ser histriônica, essa novela me prendeu desde o início, apesar de não ter sido um grande sucesso e nem de ser muito lembrada.

Direção geral segura do experiente Denis Carvalho, trilha sonora pop e irresistível e elenco bem escalado. Entre os personagens, alguns mereceram destaque, como a impagável dupla Lucia Helena e Judite – vividas por Julia Lemmertz e Nicette Bruno -, ex-mulher e mãe do jornalista Chico Motta (Marcos Plameira), que se odiavam mas passaram a se unir para impedir os novos romances do rapaz. E ainda uma participação hilária de Regina Dourado, como a amalucada mãe de Raul (Marcello Novaes) que trocava os nomes dos personagens – chamava Otávio Montana de Seu Montanha, e confundia o filho com os irmãos dele! Merecia uma reprise.

Foto: Divulgação

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NILSON COMENTA “FEIJÃO MARAVILHA”

*Por Nilson Xavier

Em 1979 eu tinha 10 anos de idade. E foi com o olhar de uma criança de 10 anos que acompanhei a chanchada novelística “Feijão Maravilha“, uma espécie de homenagem à companhia Atlântida de cinema. Ou seja, para mim foi uma novela deliciosa! O romance estava numa personagem açucarada demais (Eliana, de Lucélia Santos) e em um mocinho trapalhão (Anselmo, de Stepan Nercessian).

Mas era no pastelão policial que a novela se calcava. Como não amar os carregadores de malas Benevides (Grande Otelo) e Oscar (Olney Cazarré) – que supria a falta de Oscarito, parceiro de Grande Otelo na Atlântida. O casal romântico mais famoso da Atlântida, Anselmo Duarte e Eliana Macedo estavam no elenco. Eles eram os pais de Eliana, que não por acaso tinha esse nome – assim como o par da personagem não por acaso se chamava Anselmo. A melhor amiga de Eliana era Adelaide, papel de Elizângela, numa alusão à atriz Adelaide Chiozzo, parceira de Eliana Macedo na Atlântida – que por sua vez, e não por acaso, atuava na novela como mãe da personagem de Elizângela e melhor amiga da personagem de Eliana Macedo. Confuso? Não!

O grande vilão da Atlântida, José Lewgoy vivia o temido vilão Ambrósio, figura sinistra, sempre acompanhado pela bela e ingênua Marylin Meyer, uma versão tupiniquim do estereótipo de Marylin Monroe. Ambrósio vivia tendo cenas com a figura do Sombra, um personagem misterioso que nunca aparecia. Ao final, descobria-se que era um irmão gêmeo de Ambrósio.

Eles eram hóspedes do Hotel Internacional, um cinco estrelas onde os personagens se encontravam. Destaque para os bandidos gangsteres-mafiosos vividos por Older Cazarré, Ivan Setta, Felipe Carone e o hilário Walter d’ Ávila. Cada um com uma característica digna de personagem de desenho animado.

 Ou seja, com um elenco desse, e com tanta alusão à Atlântida, “Feijão Maravilha” não podia ser considerada uma novela comum, era uma anti-novela. Humor pastelão e situações surreais permeavam a trama. E tudo isso antes de Silvio de Abreu revolucionar o horário das sete com Guerra dos Sexos. Talvez por isso “Feijão Maravilha” não tenha sido tão bem aceita na audiência. Mas com certeza tinha a audiência de crianças de 10 anos na época.

Vídeos: Youtube

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NILSON COMENTA “MICO PRETO”

*Por Nilson Xavier

Sabe aquela novela “trash”?, não fez sucesso mas você amava? Em minha relação destaco a incompreendida “Mico Preto“, apresentada em 1990 às 19 horas, dirigida por Denis Carvalho e Denise Saraceni, escrita por um trio de autores Marcílio Moraes, Leonor Bassères e Euclydes Marinho. O público não gostou da história cínica com humor debochado. A audiência não correspondeu à expectativa de Globo e os autores “largaram mão”, como se costuma dizer: no último capítulo, teve até personagem reclamando da novela para o público!

Tinha a figura de Zé Luis, um gay afetadíssimo vivido por Miguel Falabella que sofria por não poder assumir seu romance com um político que não queria sair do armário para não comprometer sua carreira (Marcelo Picchi).

Tinha Otávio Augusto, sempre engraçado quando apela para o humor, apaixonado por Eva Wilma, uma dona de casa cinquentona para lá de comum – repetindo uma dobradinha já vista em “Transas e Caretas”, em 1984. Tinha Márcia Real, uma ricaça que “dava um chapéu” nos filhos interesseiros – um tipo que Marcia sabe fazer tão bem!

Tinha Gloria Pires em papel posterior à sua inesquecível Maria de Fátima de “Vale Tudo” e apresentando a atriz em uma caracterização tão diferente que assustou num primeiro momento: Gloria estava gorda, de cabelos cacheados e compridos e sua personagem era muito cafona! E o que falar da mãe de Gloria na novela, vivida por Geórgia Gomide, uma mulher tão vulgar que chegava a ser imoral! Inusitado era o romance de sua personagem, Eroltildes (nome mais que apropriado) com a figura de Elias Gleizer! Era um deboche só!

Mas o grande barato de “Mico Preto” era Firmino do Espírito Santo, mais uma ótima criação de Luiz Gustavo. Nunca um tema de abertura explicou tão bem a personalidade e o “psyche du role” de um protagonista como a música de Gilberto Gil:

Se um bacana me chuta eu peço desculpa em que luta pra não complicar.
Se me chamar de bagaço, agradeço, obrigado, um abraço, é isso aí, até já!
Não tenho tempo pra sarro, o sapato furou, acabou o cigarro,
meu time perdeu, guincharam meu carro, pisaram no meu calo
e até a comida o cahorro comeu…
A vida é assim e até minha gata dá pra todo mundo só não dá pra mim!

Foto e Vídeo: Divulgação/Youtube

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NILSON COMENTA CIRANDA DE PEDRA

*Por Nilson Xavier

Armando Bógus e Eva Wilma, como Daniel e Laura.

Essa semana a novela “Ciranda de Pedra”, versão de 1981, completou 30 anos de sua estreia. Eu pude acompanhá-la na reprise apresentada dentro do TV Mulher, em 1983. Tinha uns 14 anos, nesta época. Novela apaixonante, folhetinesca e envolvente. Como não se emocionar com o drama da doce Virgínia (Lucélia Santos), renegada pelo pai (Natércio Prado, de Adriano Reys) e pelas irmãs (Otavia de Priscila Camargo e Bruna de Silvia Salgado), encontrando apenas o apoio na mãe doente, bipolar, Laura, vivida intensamente por Eva Wilma, e no “tio” Daniel (Armando Bógus), que descobre-se mais tarde ser na verdade o seu pai biológico. Inesquecível também foi a atuação de Norma Blum, como a governanta alemã Frau Herta, com ares de nazista, severa e intransigente.

Os anos 40 foram poucas vezes reproduzidos em nossa teledramaturgia. E em “Ciranda de Pedra” estiveram magnificamente representados, com todo o charme, distinção e sobriedade da época da Segunda Guerra. E é preciso lembrar que essa novela pouco tem a ver com a versão de Alcides Nogueira do mesmo livro, que foi ao ar em 2008.

Tenho boas lembranças de “Ciranda”, como uma novela bonita, emocionante, com um tema pesado, denso, mas irresistivelmente folhetinesco nas mãos de seu adaptador, o experiente Teixeira filho, que vinha da Tupi. Era uma trama calcada em personagens fortes e complexos, o que exigia interpretações à altura. E o seu elenco deu conta do recado!

A mim deixou saudades. Como cantado em seu tema de abertura:

“Melancolicamente… voltei ao passado…”

 

Fotos: Divulgação

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ZAPPIANDO ESTREIA A COLUNA “NILSON COMENTA”

Ele tinha 10 anos quando começou anotar detalhes sobre novelas em um caderno, o elenco, a história, a trilha sonora, bastidores, e daí não parou mais. Hoje todas essas informações estão reunidas em um site, o Teledramaturgia, a maior referência sobre o assunto.

Estou falando de Nilson Xavier, um catarinense de Joinville, que hoje mora em São Paulo e trabalha como Analista de Sistemas, mas é expert em Telenovelas. Seu vasto conhecimento sobre o gênero também já foi dividido com os leitores do livro “Almanaque da Telenovela Brasileira” e em diversas entrevistas em programas de TV e para jornais, revistas e internet. E eu tive a honra de contar com a riquíssima participação dele no meu Trabalho de Conclusão de Curso, o vídeodocumentário “Fábrica de Ilusões”, como eu já comentei aqui no Blog.

E é também com muita honra que o “Zappiando” dá as boas-vindas a este queridão e a partir de hoje publicaremos semanalmente a Coluna “Nilson Comenta”, na qual ele comentará diversas novelas e programas. A Coluna será publicada aos finais de semana.

Confira na próximo post o texto de estreia, no qual “Nilson Comenta Ciranda de Pedra“.

Espero que goste, caro internauta.

Um forte abraço!

Paulo Ricardo Diniz

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