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PECADO CAPITAL: O TOQUE DE CAIXA QUE VIROU UM GRANDE SUCESSO

“Dinheiro na mão é vendaval, é vendaval. Na vida de um sonhador, um sonhador…”

Há 35 anos ia ao ar o último capítulo da 1ªversão de “Pecado Capital”. Escrita à toque de caixa por Janete Clair, com a incumbência de preencher a lacuna deixada pela censura de “Roque Santeiro”, a novela fez um sucesso inesperado e entrou para a história da Teledramaturgia Brasileira.

“Pecado Capital” entrou no ar em novembro de 1975, substituindo a reprise de “Selva de Pedra”.

Para a obra, foram reaproveitados o elenco e o cenário de “Roque”. Janete criou uma história em dez dias. Betty Faria, que viveria a Viúva Porcina, ficou com a protagonista, Lucinha. Francisco Cuoco, que seria Roque Santeiro, levou o anti-heroi, Carlão. E Lima Duarte, o Sinhozinho Malta, teve a missão de dar vida ao empresário Salviano Lisboa.

Lucinha e Carlão são namorados. Ele encontra em seu taxi uma mala de dinheiro, da qual ele se apossa e muda de vida. Lucinha, que é operária de uma fábrica, se torna modelo e se apaixona pelo empresário Salviano Lisboa. No último capítulo, enquanto Lucinha e Salviano se casam, Carlão é assassinado nas obras do metrô, quando fugia com uma mala de dinheiro nas mãos. Ambos os acontecimentos ocupam a mesma página de um jornal, que era mostrado com destaque. Enquanto as cenas se passavam, o tema de abertura da novela era executado. Tema este que também foi encomendado às pressas para Paulinho da Viola, o compositor e intérprete.

Em 1998, Glória Perez escreveu um remake da novela, modificando algumas coisas. Nesta versão, Lucinha (vivida por Carolina Ferraz) não termina com Salviano (agora vivido por Francisco Cuoco), e presencia a morte de Carlão (Eduardo Moscóvis).

Vídeo: Youtube (Mofo TV)

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O CONVIDADO DANIEL PEPE RELEMBRA “ÁGUA VIVA”

O nosso Convidado Daniel Pepe está acompanhando atualmente em seu “Vale a Pena Ver De Novo” particular a novela Àgua Viva, de 1980. O autor Gilberto Braga escreveu Água Viva após Dancin’ Days (1978) e o novo folhetim repetiu o sucesso.

Leia a seguir o texto de Daniel relembrando a novela.

Em 4 de fevereiro de 1980, o horário nobre global ganhava uma história bastante alto astral, bem acabada esteticamente, com diálogos densos como de costume na época e personagens ricos social e dramaturgicamente.

Ângela Leal e a então pequena Isabela Garcia.

Era “Água Viva”, texto de Gilberto Braga, que contou com a colaboração de Manoel Carlos a partir do capítulo 57 (de um total de 159) e com a direção de Roberto Talma e Paulo Ubiratan, então jovens promissores.  A dupla de diretores imprimiu cuidados técnicos que afastaram as imagens dos métodos usados anteriormente, de modo que foi vista uma revolução visual no horário, cheia de tomadas externas.

A novela tinha como ponto de partida a história da comissária de trem Suely, muito bem defendida por Ângela Leal. Ela visitava um orfanato nas horas vagas, levando carinho e amizade às crianças. O papel fora escrito especialmente para a atriz, que exercia a mesma atividade na vida real.

Suely era muito afeiçoada a Maria Helena, a então menina Isabela Garcia, que pela idade deveria ser transferida a outra instituição onde não teria mais a mesma atenção. Na impossibilidade de adotá-la, Suely vai à busca do pai de Maria Helena, Nelson Fragonard (Reginaldo Faria), por quem se apaixona sem ser correspondida. Nelson era um playboy quarentão que vivia de aplicações, tendo como maior passatempo a pesca esportiva, sempre rodeado por mulheres e mordomias. De início, o rapaz rejeita o fato de ser pai, mas passa a rever seus conceitos após perder sua fortuna devido a um golpe aplicado por um amigo. Contudo, ele não assume a paternidade e a menina é adotada por alguns personagens no decorrer da novela.

Raul Cortez (Miguel) e Betty Faria (Lígia).

Paralelamente, havia a história de Lígia (Betty Faria), a princípio fútil e interesseira que fazia questão de aparentar um status que não tinha, forçando sua ida a eventos que a inserissem no high society. Depois de se divorciar, conhece Nelson, já falido. No entanto, ela desconhece essa condição, achando que ele ainda é rico.

Miguel Fragonard, irmão de Nelson e interpretado por Raul Cortez em sua estreia na Globo, era um cirurgião plástico, bastante carismático, que tem que enfrentar a viuvez ao lado da filha Sandra (Glória Pires). A certa altura, se envolve com Lígia, disputando a moça com o irmão.

O núcleo jovem era bem representado pela madura Janete (Lucélia Santos), par romântico de Marcos (Fábio Jr.). A mãe dele, Lourdes Mesquita (Beatriz Segall) praticava vilanias para impedir o romance, pois ela queria ver o filho casado com Sandra.

O assassino Kléber (José Lewgoy) e a feminista Stela Simpson (Tônia Carrero)

Lourdes era uma organizadora de festas e eventos, amiga da feminista Stela Simpson, vivida por Tônia Carrero bem simpática e à vontade. Esta era casada com o milionário Kleber (José Lewgoy), que havia sido tutor de Miguel e Nelson.

Como quase todas as obras de Gilberto Braga, “Água Viva” também teve o “quem matou?” a algumas semanas do término da novela. A vítima da vez foi Miguel Fragonard. O suspense foi mantido até os capítulos finais quando é revelado que Kleber era o culpado, pois ele havia descoberto que Miguel sabia de seu envolvimento na falência de Nelson.

Ao lado de Kadu Moliterno, Glória Pires que vivia Sandra.

Compunham ainda o elenco: Eloísa Mafalda, Natália do Valle, Cláudio Cavalcanti, Arlete Salles, Mauro Mendonça, Kadu Moliterno, Tamara Taxman, Carlos Eduardo Dolabella, Jorge Fernando, Maria Padilha entre outros.

Uma trama cativante que, se é impossível de ser reprisada nas tardes globais, poderia ser no canal por assinatura VIVA, que já tem dado sinais positivos em relação à abertura de novelas e programas bem antigos da emissora.

 

Veja a seguir o vídeo em que o programa “Vídeo Show” relembra os 30 anos da novela.

Daniel Pepe é Engenheiro por formação e pesquisador de TV por hobby. Você pode seguí-lo no twitter.com/Dan_Pepe

 

Fotos: Dilvulgação

Vídeo: Youtube

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