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OS 10 ANOS DO FINAL DE “ROQUE SANTEIRO” NO VALE A PENA VER DE NOVO

Há 10 anos a novela “Roque Santeiro” se despedia do Vale a Pena Ver De Novo. Muitos telespectadores, como eu, assistiu a novela pela primeira vez nesta reprise na sessão.

“Roque Santeiro” entrou em cartaz em dezembro de 2000 como uma homenagem pelos 50 anos da Televisão Brasileira e pelos 35 anos da Rede Globo, 15 anos depois de sua exibição original.

Apesar da novela de Dias Gomes e Aguinaldo Silva ser a de maior audiência de toda a história da Teledramaturgia brasileira, a sua reprise não foi tão bem-sucedida, tendo média geral de 15 pontos. De modo particular, posso dizer que eu era telespectador assíduo da novela. Foi através desta súbita reprise, que pude conhecer famosos personagens como a Viuva Porcina, Sinhozinho Malta, Beato Salu, Zé das Medalhas, Dona Pombinha Abelha, Seu Flor, Matilde, Professor Astromar, Dona Mocinha, Padre Hipólito, entre outros. E me deliciei com a história dos moradores de Asa Branca, a cidade que não estava no mapa, conforme era dito nas chamadas.

Veja a cena final da novela:

 

Esta havia sido a 2ª reprise na novela. A primeira foi entre julho de 1991 e janeiro de 1992, no final da tarde.

Agora, quase 26 anos após a sua a exibição original e 10 anos após sua última reprise, “Roque Santeiro” volta ao ar no Canal VIVA, substituindo “Vale Tudo”, a partir de julho.

Veja o vídeo com a abertura:

 

Vídeos: Youtube

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NILSON COMENTA “MANDALA”

*Por Nilson Xavier

Em 1987, Dias Gomes apresentou à Globo uma sinopse baseada no mito “Édipo Rei” de Sófocles, a história do rei que mata o pai e casa com a mãe sem saber. A Censura interveio e obrigou vários cortes na trama, acusando-a de atentatória aos bons costumes. Liberada, com cortes, a novela “Mandala” continuou sendo vigiada. O esperado beijo entre a mãe (Jocasta) e o filho (Édipo) só foi ao ar depois de muita conversa com os censores. Dias saiu e deixou o barco para Marcílio Moraes guiar.

Buchichos sobre o que podia ou não podia à parte, “Mandala” empolgou mais em seu início. A primeira fase, que mostrava a juventude de Jocasta, fez mais sucesso. Ali retratou-se com fidelidade o conturbado momento político brasileiro na década de 60. Levada para a atualidade, a trama perdeu seu frescor, e a história de Édipo e Jocasta foi muito pouco para segurar a novela por meses a fio. Para piorar, as tramas paralelas não empolgaram.

Mas a novela garantiu a audiência média no horário nobre graças à popular figura do bicheiro Tony Carrado, num dos melhores momentos de Nuno Leal Maia na TV. O tipo ignorante, romântico atrapalhado, quase ingênuo em sua paixão intempestiva pela “deusa” Jocasta, davam o tom à sua verborragia repleta de erros. Caiu no gosto do público e nas graças de Jocasta, vivida por uma Vera Fischer em todo o esplendor de sua beleza.

Vale registrar que foi nessa novela que Vera iniciou seu romance com o jovem ator Felipe Camargo, o intérprete de Édipo, com quem se casaria e viveria uma conturbada relação. E a música “O Amor e o Poder”, cantada por Rosana, tema musical que embalava o amor de Jocasta e Tony, foi tocada incessantemente durante a novela, tornando-se um grande hit popular.

“Como uma deeeeusaaaa… você me manteeeeeemmm…”

Veja o vídeo com o final da novela

Vídeos: Youtube (thiagoxv)

 * Nilson Xavier é criador do site Teledramaturgia e autor do livro “Almanaque da Telenovela Brasileira”. Recentemente lançou também o Blog Noveludo.

Esta coluna é publicada todos os finais de semana no Zappiando.

 

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O FIM DO MUNDO – 15 ANOS: O que você faria se só te restasse esse dia?

“O que você faria, se só te restasse um dia? Se o mundo fosse acabar, o que você faria?”

Seria uma minissérie, mas acabou virando uma novela, a mais curta do horário das oito. Em 1996, “O Fim do Mundo”, de Dias Gomes, entrava na grade da Rede Globo para ocupar uma lacuna deixada entre o final de uma novela e o início da outra.

Explode Coração” chegava ao fim no tempo previsto pela autora, Glória Perez, que não queria prorrogar a novela, pois estava próximo o julgamento do assassinato de sua filha. A substituta, “O Rei do Gado”, não estava pronta para entrar no ar. A solução então foi escalar a minissérie de Dias Gomes.

Em 35 capítulos, assim já era anunciado nas chamadas, o autor contava a história dos moradores da fictícia cidade de Tabacópolis que ficou de pernas pro ar após uma previsão de que o mundo iria acabar. Tudo contado em um universo bem característico das obras de Dias.

Veja a chamada de sinopse da novela.


Paulo Betti era o vidente Joãozinho de Dagmar.

Dentre os personagens, destaque para o de Paulo Betti, o vidente João de Dagmar, que exalava perfume e tinha três mulheres. José Wilker encarnava o empresário Tião Socó, dono de uma empresa de tabaco, que dá em cima da cunhada, a bela Gardênia (Bruna Lombardi), para tentar curar sua impotência sexual. Mas, ela não dá bola para ele.

Acreditando que o mundo vai acabar em três meses, esses moradores são capazes de satisfazer os seus desejos mais escusos.

Uma boa e divertida novela, que agradou o público na época e garantiu uma boa audiência, mas quase não é lembrada.

Veja a abertura.

Fotos e Vídeos: Divulgação / Youtube

@diniz_paulinho

35 ANOS DE SARAMANDAIA: O EXPERIMENTALISMO DO REALISMO FANTÁSTICO

“Pavão Mysteriozo, pássaro formoso…”

Há 35 anos, Dias Gomes experimentava uma nova linguagem na Teledramaturgia, o Realismo Fantástico, com a estreia de “Saramandaia”.

Em 160 capítulos, o autor contou a história  do fictício vilarejo baiano de Bole-Bole, cujo seus habitantes se mobilizaram para tentar o nome para Saramandaia. A população estava dividida entre os “tradicionalistas”, liderados pelo coronel Zico Rosado (Castro Gonzaga) e os “mudancistas”, encabeçados pelo prefeito Lua Viana (Antonio Fagundes) e seu irmão, João Gibão (Juca de Oliveira), que justificavam que sentiam vergonha do nome atual, relacionado a uma aventura de Dom Pedro I.

A cidade contava ainda com outros ilustres moradores, um tanto quanto exóticos, como: o professor Aristóbulo (Ary Fontoura), que virava lobisomem em noites de sexta-feira; seu Cazuza (Rafael de Carvalho), que ameaçava cuspir o coração toda vez que se emocionava; Marcina (Sônia Braga), que provoca incêncios com o calor do corpo; Zico Rosado, que solta formigas pelo nariz; e a inesquecível Dona Redonda (Wilza Carla), que explode de tanto comer.

Veja no vídeo uma cena em que o professor Aristóbulo vira lobisomem.

E Zico Rosado soltando formigas pelo nariz.

Para fazer a cena da explosão de Dona Redonda no meio da praça, foi colocado um balão inflável debaixo das roupas da atriz e era enchido na medida que ela andava, por um rolo compressor manual. Para dar a impressão de que ela estava crescendo, a câmera era posicionada de baixo para cima.

Na última cena da novela, João Gibão mostra as asas escondidas durante toda a história e voa sobre a cidade ao som do tema de abertura, “Pavão Mysteriozo”, composto e interpretado por Ednardo. A cena era uma metáfora a  liberdade em meio a repressão da ditadura militar, regime vigente no país na época.

Veja a cena:

Confira o resumo da novela, no Almanaque Globo, exibido no “Vídeo Show”.

Foto e Vídeos: Divulgação/Youtube

@diniz_paulinho

GLOBO 46 ANOS DE TELENOVELAS – PARTE 1

Leila Diniz e Reginaldo Faria em cena de "Ilusões Perdidas" (1965)

 26 de abril de 1965. Entrava no ar a Rede Globo de Televisão. E neste mesmo dia, como parte da programação da emissora, estreava também a sua primeira telenovela, “Ilusões Perdidas”. Nesta época, o formato era diferente do de hoje. Os capítulos eram exibidos duas vezes por semana, ao vivo e com vinte minutos de duração cada. Em seu total, uma novela ficava três meses no ar. O enredo também era mais curto, o que consistia em um elenco bem enxuto. “Ilusões Perdidas”, por exemplo, contou com apenas oito atores.

Ainda nos anos 60, a Globo contratou a cubana Glória Magadan que começou a escrever novelas que se passavam na Corte Austríaca, no Marrocos, no Japão e em reinos europeus, e não condiziam com a realidade brasileira. Em 1967, Janete Clair foi contratada para auxiliar Glória Magadan e escreveu “Anastácia, a Mulher Sem Destino” e depois, “Sangue e Areia”.

Até que em 1969, a TV Tupi produz a novela “Beto Rockfeller”, ambientada no Brasil e com a realidade do país. A novela foi um grande sucesso e fez as outras emissoras mudarem seus padrões. A Globo acompanhou as demais. Demitiu Glória Magadan e contratou Dias Gomes e permaneceu com Janete. E ainda em 1969, estreou a novela “Véu de Noiva”, já com a nova roupagem.

Tarcísio Meira e Glória Meneses, em "Irmãos Coragem"(1970)

A partir da década de 1970, a telenovela se tornou um dos principais produtos da emissora. Neste mesmo ano, Janete Clair escreveu aquela que seria um grande sucesso, “Irmãos Coragem”. A novela chamou atenção não só das mulheres, mas também dos homens, um feito para a época.  Ficou no ar mais de um ano e teve 328 capítulos.

Francisco Cuoco e Regina Duarte, protagonistas de "Selva de Pedra" (1972)

Esta foi uma década de experimentalismo na emissora, com novelas inovadoras.  Logo na primeira metade da década, podemos citar: “O Rebu”, em que toda a trama se passava em uma noite e o dia seguinte e instigava o público a descobrir quem morreu e quem matou; “Selva de Pedra”, que em determinado capítulo atingiu 100% de audiência na cidade do Rio de Janeiro; e “O Bem-Amado”, com a história do prefeito que queria que alguém morresse para inaugurar o cemitério da cidade.

Em 1975, a Globo completava 10 anos e queria comemorar com grandes produções e “Roque Santeiro” era uma delas. Mas, a ditadura descobriu por grampo no telefone do autor Dias Gomes que a novela era adaptação da peça dele “O berço do Heroi”, que havia sido censurada. E a novela foi também censurada no dia de sua estreia. A notícia foi dada no Jornal Nacional. Para tapar o buraco, a emissora colocou no ar a reprise de “Selva de Pedra” compactada e encomendou uma nova novela a Janete Clair, com o elenco de “Roque”. Às pressas, Janete criou “Pecado Capital”, o que acabou sendo um grande sucesso.

No mesmo ano, a emissora estreou um novo horário de novelas, às seis horas, com adaptações de obras literárias e em até 80 capítulos. Foi produzida então “Senhora”, “A Moreninha”, “Escrava Isaura”, “A Sucessora”, “Maria Maria”, “Dona Xepa”, entre outros. Nesta segunda metade da década, foram produzidas outras novelas de sucesso em outros horários, como “Anjo Mau“, de Cassiano Gabus Mendes, às sete; “Saramandaia”, de Dias Gomes, às dez;  “O Astro”, de Janete Clair (que terá remake em julho deste ano), e “Dancin’Days”, de Gilberto Braga, às oito.  Esta última ditou moda com as meias de lurex, sandálias altas, roupas coloridas e os sucessos de discotecas.

Fotos e Vídeos: Divulgação/Youtube

Acompanhe amanhã a 2ª Parte.


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