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ESPECIAL: BENEDITO RUY BARBOSA 80 ANOS – PARTE 2

Dando continuidade e finalizando o nosso especial pelo aniversário de 80 anos do autor de novelas Benedito Ruy Barbosa.

No final dos anos 80, vindo de uma sequência de novelas das seis na Globo, Benedito queria passar para o horário nobre da emissora e planejava que sua estreia fosse com uma produção ambientada no pantanal.

Com o projeto nas mãos, levou ao local os diretores Atílio Riccó e Herval Rossano. Porém, era época de cheia e todas as fotos registraram apenas mato e água na região, o que fez a emissora achar a proposta inviável.

Porém, um surpreendente convite fez Benedito mudar de emissora e produzir sua novela. Jayme Monjardim, então diretor artístico da Rede Manchete, propôs ao autor a realização da novela, gravada no local.

Em março de 1990 estreia assim “Pantanal“, na hoje extinta emissora. A novela protagonizada por Cristiana Oliveira e com elenco estelar, foi sucesso de público e crítica, sendo a preferida em comparação a novela das oito da Globo na época, “Rainha da Sucata“.

Após “Pantanal“, o autor retornou novamente a Globo e passou a integrar o time do horário nobre.

Veja cenas do último capítulo da novela.

Em 1993 escreveu “Renascer“, na novela o autor usou histórias de sua vivência, em passagens pela Bahia. Uma delas era a do fazendeiro que guardava o capeta na garrafa, seu Firmo, e a outra a do matador convertido, que chegou na região para matar o fazendeiro por encomenda, mas, resolveu não matar e acabou se fixando no lugar e se tornando agregado dele. Na novela o fazendeiro era o protagonista José Inocêncio (Antonio Fagundes) e o matador era Damião (Jackson Antunes). “Renascer” tinha cenas belíssimas, tanto pela paisagem quanto pelo texto. Uma delas é no último capítulo, quando José Inocêncio no leito de morte pede perdeu ao filho João Pedro (Marcos Palmeira).

Veja o vídeo com matéria do “Vídeo Show”, relembrando o final da novela.

Três anos depois, em 1996, Benedito escreveu “O Rei do Gado“. A novela conta a história da briga entre as família italianas Mezenga e Berdinazzi. Por disputa de terras, impediam o amor de seus filhos Enrico (Leonardo Brício) e Giovanna (Letícia Spiller). Anos depois, no Brasil, o filho do casal se torna um importante fazendeiro, Bruno Mezenga (Antonio Fagundes), conhecido como “o rei do gado”. A novela também tratou de assuntos políticos como a Reforma Agrária, defendida por um Senador, na novela o personagem era vivido por Carlos Vereza. (Leia mais sobre “O Rei do Gado)

Em 1999, Benedito Ruy Barbosa voltou a falar de imigração, em “Terra Nostra“. A novela narrava a saga dos italianos Mateu (Thiago Lacerda) e Juliana (Ana Paula Arósio), que se apaixonavam no navio que os traziam para o Brasil, no final do século XIX. Originalmente, “Terra Nostra” teria várias fases e ficaria quase um ano no ar, passando por várias décadas do século XX até chegar aos dias atuais. Mas, devido ao sucesso da história do casal protagonista, a novela não mudou de fase e se centrou nisso.

Relembre cenas do primeiro capítulo da novela.

Em 2002, Benedito pretendia fazer uma continuação de “Terra Nostra“, com “Esperança“. Porém, o público rejeitou a ideia e vários fatores fizeram “Esperança” não ser o sucesso esperado. Sob pressão, o autor mudou os rumos da história a fim de salvar a trama. Na metade da novela Benedito teve problemas de saude e teve que se afastar da novela, sendo substituido por Walcyr Carrasco. Walcyr, por sua vez, fez modificações que desagradaram o autor original. (Leia mais sobre “Esperança)

Depois do insucesso de “Esperança“, Benedito voltou para o horário das seis, por vontade da emissora, e passou a fazer remakes de algumas de suas novelas de sucesso, escrevendo com as filhas Edmara e Edilene Barbosa. A primeira delas foi “Cabocla“, em 2004, que na nova roupagem trouxe a estreante Vanessa Giácomo como Zuca e Daniel de Oliveira como Luís Jerônimo, trazendo ainda Tony Ramos, Mauro Mendonça, Patrícia Pillar, Regiane Alves e Danton Mello, no elenco.

No início de 2005, ele deu um tempo nas novelas e escreveu a minissérie “Mad Maria“, que contava a história da Madeireira Mamoré, no norte do Brasil.

Sinhá Moça” veio na sequência, em 2006, com Débora Falabella no papel título, fazendo par com Danton Mello, como Doutor Rodolfo. Desta vez, o papel do Barão de Araruna ficou com Osmar Prado, que o interpretou brilhantemente.

Em 2009, foi a vez do remake de “Paraíso“. O horário das seis vinha registrando baixos indíces de audiência e a novela trouxe uma estabilidade para a emissora. Tal qual os outros remakes do autor, “Paraíso” foi fidedigna ao seu original. Coube a Nathália Dill e Eriberto Leão os papeis de protagonistas, Santinha e Zeca.

Relembre a cena final da novela, em 2009.

Benedito Ruy Barbosa além de ter uma bela história de vida, coleciona grandes sucessos em sua carreira e sempre presenteia o público com suas histórias que revelam o interior deste imenso Brasil.

Foto e Vídeos: Divulgação / Youtube

Clique aqui e leia a 1ª Parte da Homenagem a Benedito Ruy Barbosa

@diniz_paulinho

“ESPERANÇA”: UMA HISTÓRIA QUE MERECEU SER CONTADA

Pelo Convidado Fábio Leonardo Brito*

 

Já faz um tempo que venho revendo meus conceitos sobre novelas. Certas novelas, para ser mais exato. Assistido novamente cenas aqui e ali, revendo reprises, conversando com pessoas que entendem, e muito, do assunto (um abraço, queridões!). Isso tem me feito repensar. Me veio, então, a ideia de rememorar uma novela, no mínimo, injustiçada.

A 17 de junho de 2002, a Globo estreava Esperança, a nova novela das 21h, que já começava levantando muitas expectativas. A substituta do blockbustter O Clone vinha com a proposta de trazer de volta um expediente que havia sido sucesso inconteste três anos antes: a imigração italiana, figurada na megaprodução de época Terra Nostra.

O projeto não era novo. Desde o fim de seu trabalho anterior, Benedito Ruy Barbosa deseja dar continuidade à saga que conquistara o país. A ideia original do autor – que terminara Terra Nostra não com um “Fim”, mas com um “Essa história não acaba aqui” – era trazer os personagens, oriundos do fim da última novela, para a época da Segunda Guerra Mundial. No ano anterior ao início do projeto, entretanto, Lauro César Muniz emplacava sua minissérie Aquarela do Brasil, ambientada nos anos 40. Benedito perdia sua ideia, mas não a vontade de falar novamente da imigração no começo do século.

Esperança se passava nos anos 30, quando o crack na Bolsa de Valores de Nova York causava tumulto na economia mundial e levava ao empobrecimento vários países europeus. Com isso, advinham nesses países regimes políticos totalitários, como o fascismo e o nazismo. Esse contexto enquadra o protagonista, Toni (Reynaldo Giannechini), um jovem citadino de Civita, filho do velho pianista decadente Genaro (Raul Cortez), e perdidamente apaixonado por Maria (Priscila Fantin), filha do fascista Giuliano (Antonio Fagundes).

O primeiro capítulo já denotava que essa era uma novela típica de Benedito Ruy Barbosa, dirigida por Luiz Fernando Carvalho. As tomadas cinematográficas do povoado italiano, as belas cenas de casais apaixonados correndo pelos campos verdejantes… Fora as interpretações de Raul Cortez e Antonio Fagundes, mais uma vez fazendo uma dupla de inimigos.

Configurava-se a trama do amor impossível, que culminava na fuga de Toni, e em sua promessa de retornar quando estivesse estabilizado, no Brasil. Ao chegar aqui, é abrigado por diversas famílias. Primeiro, o negro Matias (Milton Gonçalves). Em seguida, os espanhóis Manolo e Soledad (Otávio Augusto e Denise Del Vecchio), pais de Mercedes (Gisele Itié). E, por fim, os judeus Ezequiel e Tzipora (Gilbert e Eliana Guttmann), pais de Camille (Ana Paula Arósio), o outro vértice do triângulo, com quem Toni casa-se.

Em paralelo, contava-se a história de Francisca “Mão-de-Ferro” (Lúcia Veríssimo), uma fazendeira dura, que mantinha uma rivalidade com os italianos que se instalavam na propriedade vizinha: a família de Vicenzo e Constância (Othon Bastos e Araci Esteves). E, como se trata de uma novela, os filhos de Francisca (Miriam Freeland e Ranieri Gonzáles) tinham de se apaixonar pelos do casal de vizinhos (Emílio Orciollo Netto e Simone Spoladore).

O começo da novela, apesar do sucesso relativo de audiência, foi marcado pelo estranhamento à fala dos estrangeiros, que levava à pouca compreensão do público. Com o tempo, as pessoas se acostumaram e o autor “abrasileirou” o texto. Até então, tudo bem. Mas os grandes problemas ainda estavam por vir. Primeiro, a Copa do Mundo, com apenas um mês do início da trama, chamando todas as atenções para o penta do Brasil. Em seguida, o horário eleitoral gratuito da campanha para Presidente da República, levando a novela entrar mais tarde no ar. Fora isso, a imprensa não parava de taxá-la como um remake mal-acabado do trabalho anterior do autor. E dá-lhe notinhas com a alcunha “Semelhança”.

Em seguida, iniciam-se as urucubacas ao qual elenco, direção e autoria foram submetidos. Na gravação de uma das sequências mais fortes da novela, Ana Paula Arósio e Reynaldo Giannecchini se acidentam, fazendo o galã perder um dente. Em seguida, Benedito é submetido a uma cirurgia de ponte de safena. Meses depois, a mãe do autor é hospitalizada. Resultado da equação: atrasos na entrega dos capítulos, acarretando atrasos nas gravações, e, consequentemente, reclamação do elenco. Beatriz Segall, por exemplo, chamada para uma participação especial como a mãe do português João Manuel (Nuno Lopes), saiu atirando para todos os lados.

Reveja a sequência da discussão entre Toni e Camilli, em que Reynaldo Giannecchini e Ana Paula Arósio acabaram se acidentando:


O saldo foi negativo. Benedito, afastado da novela, foi substituído por Walcyr Carrasco, que mudou seus rumos e arranjou um desafeto com o autor original. Idiotizou alguns personagens, criou outros, e transformou Farina (Paulo Goulart) no grande vilão da história. Benedito, chateado, reclamou, deixou sua insatisfação clara e a Globo não gostou. Nos anos que se seguiriam, o autor seria “rebaixado” para o horário das seis.

Esperança foi, para mim, bem mais que uma mera cópia de Terra Nostra. Foi uma novela que trouxe novos valores e, talvez, uma estética mais elaborada que sua antecessora. Se a ideia foi mal aproveitada, muito se deve a questões externas ao trabalho de texto, elenco e produção. Um de seus traços marcantes, o retrato dos diversos povos que passaram a compor o Brasil no começo do século XX, ficava claro em sua abertura, onde a mesma música era interpretada em português, pelo Fama Coral, em italiano, por Laura Pausini, em espanhol, por Alejandro Sanz, e em hebraico, por Gilbert. Tal característica, bem como um belo retrato histórico do início da industrialização do país, merecem, no mínimo, uma releitura por parte da crítica especializada.

Veja um clipe de lançamento da novela, com a música cantada nos quatro idiomas. E também a abertura, na versão cantada em italiano, por Laura Pausini:


Fotos e Vídeos: Divulgação / Youtube

*Fábio Leonardo é piauíense  formado em História e apaixonado por tal, o que talvez o faça também ser um admirador de telenovelas e interessado pesquisador do gênero. Dedica parte de seu tempo ao seu Blog, o Super Cult. Você pode seguí-lo no twitter.com/fabioleobrito.

Na Trilha: As músicas de Vanessa da Mata em novelas

Estreando a nossa seção “Na Trilha”, Vanessa da Mata.

Ao longo da década a cantora lançou seis álbuns, entre CDs e DVDs, dos quais teve sete de suas canções como temas de novelas da Rede Globo.

Seu primeiro álbum intitulado Vanessa da Mata rendeu duas músicas para duas novelas. Onde Ir, como tema da personagem Caterina (Simone Spoladore) em “Esperança” (2002). E no ano seguinte,  a regravação de Nossa Canção embalou o romance da protagonista Maria Clara (Malu Mader) com Hugo (Henri Castelli), em “Celebridade”.

Em seu segundo álbum, Essa Boneca Tem Manual, Vanessa regravou a música Eu Sou Neguinha, de Caetano Veloso, que acabou entrando na trilha de “A Lua Me Disse” (2005).

No final deste mesmo ano e início de 2006, o hit Ai Ai Ai, ainda deste disco, estava em “Belíssima” e fez grande sucesso como tema de Rebeca (Carolina Ferraz), estando entre as músicas mais tocadas deste ano.

A música Ainda Bem era a que tocava quando a ‘Dona Guilhotine’, oops… Guinevere (Juliana Paes) entrava em cena, em “Pé Na Jaca” (2006).

Em 2008, na novela “A Favorita”, Lara (Mariana Ximenes) e Cassiano (Thiago Rodrigues) trocavam beijos ao som de Amado, música do disco Sim, vencedor do Grammy Latino como Melhor Álbum de Pop Contemporâneo Brasileiro.

Em seu CD e DVD Multishow Ao Vivo, Vanessa reuniu alguns grandes sucessos e lançou outros. Uma belíssima regravação de Um dia, um adeus, de Guilherme Arantes foi tema da protagonista Rose (Camila Pitanga), em “Cama de Gato” (2009).

Vale ressaltar a bela e agradável voz desta jovem cantora mato-grossense, que possui um estilo próprio e dá sempre um toque especial em suas canções e regravações.

Imagens: Divulgação

@diniz_paulinho

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