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RECORDANDO: 20 ANOS DO ÚLTIMO CAPÍTULO DE “MEU BEM MEU MAL”

Há 20 anos ia ao ar o último capítulo de “Meu Bem Meu Mal“, no horário nobre global. A novela de Cassiano Gabus Mendes, escrita com Maria Adelaide Amaral e Djair Cardoso, tinha enredos de um bom folhetim, como o próprio autor admitia.

O derradeiro capítulo 173 trazia os desfechos da história que colocava em cheque as diferenças entre as classes sociais e uma rede de intrigas que geravam amor e ódio.

A empresária Isadora Venturini (Sílvia Pfeiffer) termina sozinha, numa cena que marca bem esta solidão: já de noite, ela deixa o escritório da Venturini Designerse segue para casa, na cena final.

Seus filhos, Victória (Lizandra Souto) e Marco Antônio (Fábio Assunção), têm finais felizes ao lado dos amores que encontraram no subúrbio.

Fernanda (Lídia Brondi) e Doca (Cássio Gabus Mendes), depois de trocarem farpas durante toda a trama, se entendem e se apaixonam.

E o mordomo Porfírio (Guilherme Karan) enfim consegue conquistar a sua “Divina Magda” (Vera Zimermann). Ricardo Miranda (José Mayer) fica com Patrícia (Adriana Esteves), a moça que se aproximou dele por vingança, mas acabou se apaixonando.

A novela marcou a estreia dos atores Fábio Assunção e Milla Christie,  e foi  a última de Lídia Brondi, que encerrou sua carreira como atriz. Lidia se casou com seu par romântico, Cássio Gabus Mendes, e vivem juntos até hoje.

Foi também a primeira de Sílvia Pffeiffer, muito criticada por sua atuação. Antes ela havia feito a minissérie “Boca do Lixo”.

Os atores Zilda Cardoso e Jorge Dória garantiam muito humor à trama com seus personagens Dona Elza e Seu Emílio. Ela inclusive estava na antológica cena em que Dom Lázaro Venturini (Lima Duarte), está entrevado numa cama após um derrame, e volta a falar pedindo melão. Cena esta que originou o nome do Blog do meu amigo Vitor Santos, o “Eu Prefiro Melão“.

A novela foi reprisada no Vale a Pena Ver De Novo entre 12 de agosto e 22 de novembro de 1996. Neste ano também completa, portanto, 15 anos de sua reprise.

Foto e Vídeos: Divulgação / Youtube

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“TI TI TI” ONTEM E HOJE

Pelo Convidado Vitor Santos de Oliveira*

Jacques Leclair e Victor Valentim, na versão de 1985.

Há quem diga até que não se trata de um remake a atual versão de “Ti Ti Ti”, de Maria Adelaide Amaral, mas de uma nova novela. Eu diria que “Ti Ti Ti” é uma releitura, livremente inspirada na trama oitentista de Cassiano Gabus Mendes, já que a espinha dorsal original está ali presente. No entanto, além da inclusão de núcleos de “Plumas e Paetês”, há outras mudanças significativas na versão de 2010/11, provenientes das mudanças pelas quais passou a sociedade nesses 25 anos, além do próprio estilo da autora. Sem procurar atribuir juízo de valor, aproveitando a última semana do remake, vamos comparar algumas dessas diferenças entre as duas produções.

A mais significativa das diferenças está no perfil de um dos protagonistas, Jacques L’eclair, vivido por Reginaldo Faria em 85 e por Alexandre Borges em 2010. O Jacques de Reginaldo era um autêntico macho-alfa, imponente, sedutor, que só desmunhecava na frente dos maridos das madames a quem atendia e com quem vivia tórridos romances. Além disso, era extremamente talentoso e o costureiro (naquela época não se usava o termo estilista) mais bem-sucedido do país. Em contrapartida, o Ari de Luiz Gustavo era um pobre diabo, tal qual o de Murilo Benício. Sem sorte para os negócios, vivia de fracasso em fracasso e chegara na meia idade sem ter construído nada e com um casamento fracassado nas costas. Daí se fazia o grande conflito. A diferença entre os dois era abissal, tanto em talento, quanto em poder. Era praticamente impossível imaginar que o desprovido Ari conseguiria vencer o poderoso Jacques. Por isso, o público acompanhou com bastante interesse e entusiasmo a virada do anti-herói e suas vitórias contra o rival.

Já no remake, a diferença entre um e outro não foi tão grande assim. Ambos não possuem o dom da costura e vivem de explorar o talento alheio. Além disso, Jacques não herdou o bom gosto da mãe, como na primeira novela. Extremamente cafona, só começou a deslanchar com a chegada de Jaqueline (Claudia Raia) em sua vida. Além disso, o Jacques de Alexandre Borges acabou dividindo opiniões por conta do caminho que ele tomou: extremamente histriônico e caricato, com caras e bocas e trejeitos afeminados quase todo o tempo, o estilista se mostrou um tanto fraco e descerebrado. Em contrapartida, o Ari de Benício, apesar de pateta, se mostrou bem mais esperto que Jacques, portanto, a jornada do herói na conquista de seu objetivo não pareceu tão dura e difícil assim aos olhos do público.

 

Cláudia Raia brilhou como Jaqueline Maldonado.

E, justiça seja feita, o grande destaque do elenco do remake ficou mesmo por conta de Claudia Raia e sua tresloucada Jaqueline. Mesmo com todas as maluquices e com todas as cenas de humor pastelão, Maria Adelaide e sua equipe souberam dar a humanidade necessária à personagem para que o público comprasse sua história e torcesse por ela. Ao meu ver, a grande heroína da trama, com peso de protagonista, deixando a rivalidade entre os estilistas em segundo plano. Rimos (muito), mas também choramos com Jaqueline, nutrimos carinho por ela e torcemos o tempo todo para que ela encontrasse a felicidade. Na versão original, a Jaqueline, vivida pela inesquecível Sandra Bréa, não tinha nem metade do peso que teve agora na trama. Apesar da beleza e da elegância de La Brea cativarem o público, a personagem vivia à sombra de Jacques e não tinha força o suficiente para sair de sua teia. Só no final terminou nos braços de Adriano (Adriano Reis), que nutria por ela um amor platônico desde o inicio. Outra mudança bastante drástica foi no perfil de Clotilde, vivida por Tania Alves no original e por Juliana Alves no remake. A Clotilde de Tania era uma delícia, fazia o gênero bonita e burra, mas de burra não tinha nada. Era esperta e sabia conquistar o que queria com charme e sedução. Muito diferente da pragmática Clotilde do remake, que não mediu esforços para alcançar seus objetivos, passando por cima de todos para promover Jacques e se tornando a grande cabeça do casal. Sinal dos tempos? Pode ser, já que hoje em dia, a postura das mulheres mudou bastante, mas confesso que a graça e o charme de Tania Alves fazia toda a diferença.

 

Aracy Balabanian era Marta, na primeira versão.

Outra mudança radical foi com a Marta, que na pele de Aracy Balabanian, era uma mulher dura, rancorosa, vingativa e fazia de tudo para destruir Jacques, já que ele fora o responsável pelo término de seu romance com Pedro (Paulo Castelli). Aliás, esse romance não convenceu o público nem um pouco. Acertadamente, Maria Adelaide transferiu no remake, o romance de Marta, agora vivida por Dira Paes, de Pedro para o próprio Jacques. E apesar de a Marta do remake ser também uma mulher sofrida, também é doce e bondosa e candidata ao amor de Ari.

 

Murilo Benício e Alexandre Borges, na versão de 2010.

Diferenças à parte, há uma semelhança que supera todas elas: o sucesso. A trama de Cassiano Gabus Mendes era ótima e mexeu com o país e a atual releitura de Maria Adelaide mostrou vigor e fôlego suficientes para reabilitar o horário das sete. Qual das duas versões é a melhor? Cada um tem a sua preferência, lógico, mas uma coisa ninguém pode negar: o sucesso esteve ao lado de ambas o tempo todo.

Fotos: Divulgação

*Vitor Santos é apaixonado por Televisão, o que se reflete em seu trabalho. Por formação, é roteirista e professor de literatura. Em 2009, tive a honra de contar com sua participação em meu Trabalho de Conclusão de Curso, o vídeo-documentário “Fábrica de Ilusões“. Recentemente conseguiu, por méritos próprios, ingressar para o seleto grupo de roteiristas da Rede Globo. Mesmo com tanta ocupação, ainda arruma tempo para abastecer com bom conteudo o seu bem-sucedido Blog Eu Prefiro Melão, no qual aborda assuntos televisivos.

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