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NILSON COMENTA “QUEM É VOCÊ”

*Por Nilson Xavier

Em 1995, após o sucesso de “A Viagem”, Ivani Ribeiro apresentou à Globo uma trama inédita, com o título de “Caminho dos Ventos”. A sinopse foi aprovada para o horário das 6 mas Ivani não chegou a desenvolver este trabalho pois viria a falecer ainda naquele ano. A novela foi entregue à sua habitual colaboradora, Solange Castro Neves, que escreveu apenas os primeiros capítulos de “Quem É Você”, o título final. Mas Solange desentendeu-se com a Globo e foi demitida. A novela passou então para as mãos de Lauro César Muniz, que fazia a supervisão do texto.

“Quem É Você” não foi um sucesso, tinha um elenco irregular, uma trama principal que não despertou o interesse do grande público, e tramas paralelas inconsistentes. Mas eu, particularmente, me interessei pela novela, principalmente em um pedaço da história em que a vilã Beatriz (Cássia Kiss) é perseguida pela mocinha Maria Luísa (Elizabeth Savala). Depois de sofrer nas mãos da irmã má, Maria Luísa desaparece, e arquiteta uma vingança contra a megera Beatriz. Esta foi a melhor parte de “Quem É Você”, com direito a uma sala de falso espelho por onde Maria Luísa vigiava a irmã malvada. Um dos raros casos em nossa teledramaturgia em que a mocinha se volta contra a vilã opressora muito antes do final da novela.

Merece destaque também o núcleo de uma casa para idosos onde moram simpáticos velhinhos abandonados por suas famílias. Seus dramas são discutidos com leveza e até humor, sem deixar de criticar esta situação por qual passam várias pessoas na terceira idade. Foi mérito também da produção reunir um belo elenco de atores veteranos – alguns até afastados da TV naquela época: Castro Gonzaga, Ênios Santos, Eloísa Mafalda, Vanda Lacerda, Cléa Simões, Alberto Perez, Eva Todor, Ruth de Souza, Norma Geraldy, Lafayette Galvão, Dirce Migliaccio e Lídia Mattos.

A abertura – com máscaras do carnaval de Veneza – trazia a bela canção “Noite dos Mascarados” numa gravação de Emílio Santiago:

“.. Hoje eu sou da maneira que você me quer / O que você pedir eu lhe dou / Seja você quem for / Seja o que Deus quiser..”

Veja o vídeo com a abertura:

Vídeo: Youtube

* Nilson Xavier é criador do site Teledramaturgia e autor do livro “Almanaque da Telenovela Brasileira”. Recentemente lançou também o Blog Noveludo.

Esta coluna é publicada todos os finais de semana no Zappiando.

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LAURO CÉSAR MUNIZ DEFENDE NOVELAS MAIS CURTAS

Em matéria do Caderno Ilustrada, do Jornal Folha de São Paulo, desse domingo (10), o autor de novelas, Lauro César Muniz defende produções mais curtas, de até 120 capítulos.

A partir desta semana, ele convida alguns colegas como Silvio de Abreu, Manoel Carlos, Aguinaldo Silva e Gilberto Braga para uma campanha contra o que considera “uma ameaça à sobrevivência das novelas do Brasil”.

Para Lauro, a novelas foram enveredadas para um “fordismo”, referindo-se ao norte-americano Henry Ford (1863-1947), criador de uma série para a produção em série.

Segundo o autor, o formato mais enxuto favoreceria as histórias concentrando-as nas tramas principais e menos paralelas, e reduziria também os custos. Em questões técnicas seria mais favorável para lançar novos autores.

“É muito mais viável para uma emissora arriscar em um novo nome em uma novela de quatro, cinco meses do que em uma de oito”, disse ele, que ainda defende que para o elenco também seria vantagem, uma vez que alguns atores mais seletos poderiam topar fazer tramas mais curtas.

Mas, esta ideia do autor não parte de agora. Ele a defende desde dos anos 90, enquanto ainda trabalhava na Rede Globo ele chegou a sugerir para a emissora, que por sua vez recusou, já que o atual formato de produção era ainda recente na época.

Porém, as atuais novelas das seis tem sido mais curtas, “Cordel Encantado”, por exemplo, durará cinco meses no ar. E a partir do  segundo semestre, a emissora aposta em remakes de novelas dos anos 70 em formatos mais enxutos. A primeira será “O Astro”, que no original teve 186 capítulos e o remake tem previsão de ter 80.

No entanto, o autor é contratado da Rede Record desde 2006 e prepara mais uma novela para o próximo ano, no formato de mais de 200 capítulos. E no caso da Record, bem mais de 200. Se na Globo as novelas duram oito meses, na Record duram quase um ano. A atual, “Ribeirão do Tempo”, de autoria de Marcílio Moraes, completa onze meses no próximo dia 18 e tem previsão de terminar só em maio.

Clique aqui e leia a matéria da Folha na íntegra.

Foto: Divulgação

@diniz_paulinho

 

 

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