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GLOBO 46 ANOS DE TELENOVELAS – PARTE 2

Continuando a História das Telenovelas da Rede Globo:

Se os anos 70 havia sido de experimentalismo, nos anos 80 a inovação continuou, mas, com ainda mais ousadia.

Em 1980, Gilberto Braga escreveu “Água Viva” e criou a figura do colaborador. As novelas estavam um pouco maiores, com mais tramas, o que seria trabalho demais para uma pessoa só. Gilberto havia escrito sozinho “Dancin’Days” em 1978, e alegou à emissora que era um trabalho estressante para se fazer sozinho. E solicitou uma pessoa para auxiliá-lo em “Água Viva“, e por volta do capítulo 60, passou a escrever com Manoel Carlos. Daí em diante, a figura do colaborador se tornou comum e necessária às novelas, com exceção de alguns autores, como Glória Perez, que até hoje escreve suas novelas sozinha.

Em 1983, a Teledramaturgia Brasileira teve uma grande perda com o falecimento da autora Janete Clair. A esposa de Dias Gomes estava no ar com a novela “Eu Prometo“, que foi continuada pela até então colaboradora Glória Perez.

Neste mesmo ano, a comédia rasgada deu o tom ao horário das sete, com “Guerra dos Sexos“. O autor Sílvio de Abreu e o diretor Jorge Fernando colocaram em cena dois grandes atores do Teatro Brasileiro, Paulo Autran e Fernanda Montenegro. Uma das memórias desta novela é a antológica cena do café da manhã em que um joga comida no outro.

Veja a cena de Guerra dos Sexos.


Em 1985, dez anos depois de sua censura, “Roque Santeiro” é refeita com outro elenco, com Regina Duarte como Viuva Porcina e José Wilker como Roque, desta vez recusados por Betty Faria e Francisco Cuoco, e se torna um grande sucesso. Até hoje “Roque Santeiro” é novela de maior audiência da Televisão Brasileira. E nos parâmetros atuais, dificilmente será superada. A novela será reprisada a partir de julho pelo Canal VIVA, subtituindo “Vale Tudo“.

Cena do último capítulo de “Roque Santeiro”.


E por falar em “Vale Tudo“, a obra de Gilberto Braga e Aguinaldo Silva foi um grande sucesso em 1988 retratando o Brasil e a sociedade da época. Vale a pena ser honesto no Brasil? Indagava a trama. E todo mundo queria saber: “Quem matou Odete Roitman?”. Hoje, quase 23 anos depois, com figurino e cenografia à parte, a novela reprisada pelo VIVA ainda é bem atual.

A cena do assassinato de Odete Roitman.


Esta foi uma década de grandes sucessos. Podemos citar ainda: “Baila Comigo” (1981), “A Gata Comeu” e “Tititi” (1985), “Sassaricano” (1987), “Fera Radical” (1988), “Top Model“, “O Salvador da Pátria“, “Que Rei Sou Eu?” e “Tieta” (1989).

Nos anos 90, o formato das telenovelas se modificou um pouco mais. Os capítulos passaram a ter aproximadamente uma hora no ar, e com isso as tramas aumentaram, com mais núcleos  e personagens. E foram nesses anos que a Globo viu sua audiência pulverizada. Emissoras como SBT, Manchete e Bandeirantes começaram a disputar uma fatia deste bolo.

Em 1990, “Pantanal” na Manchete chamou a atenção da crítica e do público. Na Globo, “Rainha da Sucata” estreava com um elenco estrelar para comemorar os 25 anos da emissora. A novela não sofreu tanto com audiência, mas era rejeitada pela crítica. A Manchete espera a novela das oito acabar para colocar “Pantanal” no ar. Tentando segurar a audiência, a Globo retomou as “novelas das dez”, e lançou “Araponga”, que não obteve o efeito esperado. (Clique aqui e leia mais sobre “Pantanal“)

No ano seguinte, foi a vez do SBT incomodar. A mexicana “Carrossel” fazia o público mudar de canal e deixar de ver “O Dono do Mundo“, a novela das oito.

Após “Pantanal”, o autor da novela, Benedito Ruy Barbosa, retornou à emissora e escreveu sucessos como “Renascer“, “O Rei do Gado” e “Terra Nostra“, nessa década.

Ivani Ribeiro foi a responsável pela melhor audiência dos horários das seis e das sete, com “Mulheres de Areia” (1993) e “A Viagem” (1994), respectivamente.

Em 1995, o Brasil parou para descobrir quem era o serial-killer responsável pelos assassinatos em série de “A Próxima Vítima“, de Sílvio de Abreu. O último capítulo da novela rendeu até matéria exibida no Jornal Nacional.

Veja o vídeo com a matéria.


Já na segunda metade da década, houve sucessivo fracassos de audiência, principalmente nos horários das seis e das sete. Como os mal-sucedidos remakes da obra de Janete Clair,  “Irmãos Coragem“, em 1995, e “Pecado Capital“, em 1998.

Destaques bem-sucedidos para a estreia de Miguel Falabella como autor de novelas, com “Salsa e Merengue“, em 1996, e para as novelas de Manoel Carlos: “Felicidade” (1991) e “História de Amor” (1995), e “Por Amor“, às oito. Esta última, uma novela “barraqueira”, pois sempre rendia um bom barraco na trama. E ainda, em 1997, a releitura de Maria Adelaide Amaral para “Anjo Mau“, de Cassiano Gabus Mendes.

Um dos barracos de “Por Amor”.

Nos anos 2000, a audiência das outras emissoras estava ainda mais fortalecida e o perfil do público também estava um pouco diferente. O realismo-fantástico – em que histórias apresentam situações um tanto quanto absurdas para a realidade, como o cara que cai no buraco e vai parar no Japão -, por exemplo, já não era mais aceito pelo público.  Porém,  nesta primeira metade da década, a maioria das novelas fizeram grande sucesso de público, crítica e repercussão.

Novelas como “Laços de Família“, “Mulheres Apaixonadas“, “O Clone” e “América“, as duas primeiras de Manoel Carlos e as outra de Glória Perez, apresentaram os chamados merchandisings sociais e motivaram campanhas em prol da sociedade, como o transplante de medula óssea, c0mbate às drogas, o estatuto do idoso e deficência visual.

Já na segunda metade, as novelas começaram a ter mais dificuldades para conquistar sua audiência. Desde “Paraíso Tropical“, em 2007, as novelas das nove estrearam abaixo dos 40 pontos no IBOPE. Algumas se recuperam depois, outras, como as mais recentes dificilmente ultrapassaram esta marca.

A Favorita“, em 2008, foi uma grata surpresa. A novela estreou com 35 pontos na Grande São Paulo, o menor até então. Porém, apresentava um enredo inovador. Somente no capítulo 60 o público descobriu quem era a mocinha e quem era a vilã.

Cena em que Flora confessa ser a assassina e a grande vilã da novela.

Nesta década ainda, Walcyr Carrasco escreveu várias novelas para os horários das seis e das sete, misturando amor e comédia. Começando com “O Cravo e a Rosa“, em 2000, até a atual “Morde e Assopra“, passando por outras como “A Padroeira“,  “Chocolate com Pimenta“, “Alma Gêmea“, “Sete Pecados” e “Caras e Bocas“.

Às seis horas, outras novelas de sucesso foram os remakes de Benedito Ruy Barbosa: “Cabocla” (2004), “Sinhá Moça” (2006) e “Paraíso” (2009). Desde “Paraíso“, o horário vem mantendo a audiência estabilizada com “Cama de Gato“, “Escrito nas Estrelas“, “Araguaia” e agora, “Cordel Encantado“.

Às sete, há maior oscilação. A recente “Ti Ti Ti”, de Maria Adelaide Amaral, foi um dos grandes destaques.

Cena final de “Tititi”

Segundo informações do Portal R7, neste ano em que a emissora completa 46 anos, registra a menor audiência de sua história, o que acaba refletindo em suas novelas, seu principal produto. Mas, tem que se levar em consideração que atualmente é grande o número de pessoas que assistem novelas pela internet ou pelo celular. Apesar de que algumas recentes realmente não têm empolgado, ou pelo menos, não têm cumprido o que prometem antes da estreia.

Foto e Vídeos: Divulgação/Youtube

@diniz_paulinho

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